Sobre meus contos

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terça-feira, 27 de maio de 2014

Memórias de um Guerreiro Orgulhoso

Nosso povo pode ser dividido em três categorias: Guerreiros, escravos e bárbaros (alguns os chamam de selvagens). Não cabe a nós a escolha, nascemos e somos o que somos. Poucos conseguiram mudar isso e não fui um desses. Pelo contrário, nasci guerreiro e sempre tive orgulho disso.

A linhagem de minha família pode ser traçada até os maiores soldados que nosso povo viu. Nós estávamos lá com os Templários atacando os mouros em Jerusalém, vencemos desertos com os Teutônicos, libertamos reinos, fundamos impérios, foi graças a nossa força que o mundo tornou-se o que é. Infelizmente poucos reconhecem isso.

Minha família ajudou na libertação do reino de Portugal e com um tempo desembarcou nas Terras de Santa Cruz, hoje chamadas de Império do Brasil.

Quantos eu empurrei para morte? Não sei. Sobre quantos cadáveres andei? Impossível contá-los. O sangue nunca me assustou, a morte nunca foi problema e isso me transformou em um guerreiro inabalável.

Nesse momento estou ao lado de milhares e acompanhando meu general na província de Cisplatina, se morrerei não me importo, se esse é meu destino partirei orgulhoso ciente das glórias que vivi.

Que venha a guerra, pois para isso nasci e fui forjado!

Tiraram-me de meu imperador exclusivamente para essa missão e, se depender de minha vontade não haverá retirada, avançarei no território inimigo até que todos caiam ou que eu mesmo encontre o chão ensopado de sangue. Sangue do meu povo, sangue dos brasileiros e sangue dos inimigos.

E caso eu morra, partirei com a memória daquele dia na cabeça. O mais glorioso de minha vida! Ah, jamais esquecerei. O dia era lindo, mas ninguém imaginava que seria histórico. Uma brisa afagava, as águas do riacho corriam plácidas e às margens nós marchávamos, estava ótimo para estufar o peito e mostrar para todos importância e imponência. Foi quando um primo chegou em disparada acompanhado de seu senhor. Estava ofegante, paramos para saber o que causava tanto desespero. Como superior exigi:

— Diga-me que notícia o fez correr de tal forma? — Ele ignorou-me. — Ousa desdenhar de meu questionamento? — Exigi resposta.

— Desculpe senhor, mas é melhor ver por si só. — Respondeu.

Só então notei a agitação, meu Imperador lia a carta seriamente, suspirou, conversou em voz baixa com seus companheiros durante um bom tempo, sussurros eram ouvidos de toda parte. Porém, de repente senti a tensão aumentar. Ele desembainhou sua espada, mesmo não identificando ameaça preparei-me. Um silêncio repentino baixou sobre o local e sua voz soou em um brado de arrepiar:

— Independência ou Morte!

 Puxou minhas rédeas e imediatamente empinei transformando aquele sete de setembro em algo inesquecível. Nunca vou esquecer os gritos. O júbilo nos rostos de todos e, principalmente a sensação de que assim como meus antepassados, deixei minha marca na história.

Hoje já não sou mais montado pelo Imperador, porém tal fato não me afeta. Existo para servi e servi com honra. É isso que somos! Não sei como meus primos livres vivem, mas acho que tive uma vida boa.

— Vamos, garoto, corra! Vamos massacrar esses tolos!

A ordem foi dada e agora corro para o campo de batalha. Talvez por isso tanta reflexão. É bom sentir o vento contra minha crina, o gosto da batalha, a terra pulando com minhas pisadas e a morte aproximando-se. Fico pensando: se não fosse minha linhagem talvez eu morresse de exaustão puxando carga. Não, é melhor afastar esse pensamento.

— Venham inimigos! Venham patriotas orientais, mostrarei que a Província de Cisplatina é nossa! Eis a melhor forma de morrer, mas antes disso irei pisoteá-los até que seus crânios afundem na terra!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Aconteceu alguma coisa, pensei. Ficou pior quando deixei escapar a pergunta que nunca deve ser feita a uma mulher:

— Eu fiz algo de errado?

Idiota! É isso que sou. Essa pergunta entra no subconsciente feminino como uma confissão de culpa assinada fazendo rir o carrasco que habita o íntimo delas.

— Ah, você não sabe, Leo? — Ela respondeu com aquele olhar que não tem o poder de penetrar na alma, mas faz o espírito tremer.

Por isso isso martelava na minha cabeça: O que eu fiz? Será que esqueci alguma data importante?

Tinha que buscar a resposta. Fui correndo ao quarto; três palmos na parte trás do guarda-roupa. Puxei a fresta solta e… Lá estava meu tesouro! O caderno onde tenho escrito todas as datas relevantes para ela. 

Aniversário de casamento eu já lembrei, inicio do namoro e primeiro beijo também; Aniversário da sogra… Infelizmente recordei. Primeira mordida no pescoço… Confere. Data do primeiro sonho-de-valsa que dei para ela… Lembrado. Aniversário do Broke, o cachorro que presenciou nosso primeiro amasso na porta da escola… É só em julho. Aniversário das crianças nem tem como esquecer, pois já pediram os presentes. O que deixei passar?. 

Já sei ela mudou alguma coisa no visual!

Coloquei os óculos escuros no rosto para ela não perceber meu olhar inquisidor e deitei na rede na varanda, assim tinha a visão da cozinha e podia observa-la com detalhes.

O que ela mudou? Terá sido os sapatos? Acho que já vi os brancos que estão em seus pés. Não sei bem, ontem ela comprou um par azul e semana passada um preto. Fica difícil. Talvez tenha cortado “dois dedos” dos cabelos… Pelo amor de Deus, quem nota dois dedos a menos de cabelos?.

Será que a roupa é nova? Droga como vou saber se o closet é lotado e ela veste três por segundo antes de sair?.

Novamente aquele olhar terrível veio em minha direção.

Talvez eu não tenha feito nada, continuei com os questionamentos interiores.

Eita será que esqueci a TPM? Calendário, calendário… Não, faltam cinco dias ainda. Meu Deus se sem TPM essa mulher está assim…!.

Tenha calma, Leo!, respirei fundo.

Vamos recapitular. Estava tudo bem até algumas horas atrás quando ela saiu para o shopping para pagar uma conta. O dinheiro eu dei. Disse tchau. Tenho que descobrir.

Eu estava aqui. Assistia à gravação do UFC de sábado que eu tinha perdido para sair com ela. Ah isso ninguém lembra! Na parte mais emocionante ela me chamou. Deve ser do instinto feminino, sempre no clímax do quer que seja resolvem ter uma DR. Quando a bola vai passar a linha do gol elas soltam um “precisamos conversar”. Tenho certeza que no momento que o primeiro pé tocou a lua, em algum lugar, uma mulher deixou escapar uma “essa roupa me deixa gorda”?. 

Entretanto, quando ela perguntou, dessa vez não ignorei, como era uma gravação apertei pause e dei-lhe atenção. Ah, meu Deus, sei o motivo da raiva! Leo idiota como esqueceu-se disso! Do nada ela tinha me perguntado: Estou bonita? Droga além de demorar a responder ainda disse só um: tá.

O problema é que no momento da pergunta centenas de coisas vieram à mente. Não soube responder. Não que Helena seja feia. De forma alguma, sempre que nós saímos eu preciso ser sangue-frio com os carros buzinando ou com os pescoços “quebrando” para olhá-la.

Definitivamente ela é maravilhosa. Mas, demorei em responder. Não me culpem, não foi proposital. Quando ela perguntou a primeira imagem que veio à memória foi da Helena por quem me apaixonei contracenando com a atual.

Não, ela não engordou e sim, vocês dirão que reclamo de barriga cheia. Entretanto, já que leram até aqui tentem pelo menos me entender.

Aquele corpo magro que eu adorava agora estava no estilo panicat, não que seja ruim, mas tenho saudade daquela menina magrela que transparecia fragilidade apesar de ser uma mulher forte e determinada. Sinto falta do seu charme em uma calça jeans de número “teen” e como ela ficava parecendo uma adolescente apesar dos dezoito anos. Hoje é uma poderosa siliconada. O cabelo… Ah esse eu posso falar piamente que não gostei, quer dizer, agora expresso isso apenas em pensamentos, pois quando fiz voz quase nos separamos. Eu adorava deitá-la em meu colo e brincar com seus cachos negros, enrolando-os em meus dedos e sentindo o perfume deles. Agora curto e loiro já não tem a mesma graça.

As lentes verdes também não me agradam, porque raios esconder os grandes olhos escuros que com o brilho lembravam-me uma linda noite? Ela não me escutou nisso também.

A pele morena ainda é a mesma para minha alegria, no entanto, o rosto está sempre carregado.

Agora sei por qual motivo demorei a responder.

Todos dizem que ela está muito melhor, afirmo que é questão de ponto de vista. Para que tanta transformação?

Todavia, precisava remediar meu erro do “tá”, por isso procurei-a. Ela estava no banheiro, já era tarde e preparava-se para dormir.

Ensaiei  uma pequena mentira na busca do perdão, afinal a verdade tinha causado todo o problema.

No entanto, quando toda a maquiagem escorreu pelo ralo, com olhos arregalados eu pude expressar sem qualquer medo e com toda sinceridade: — Meu amor, você é simplesmente linda!

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Dicas de escrita com uma dose de bom humor

1. Evite repetir a mesma palavra, porque essa palavra vai se tornar uma palavra repetitiva e, assim, a repetição da palavra fará com que a palavra repetida diminua o valor do texto em que a palavra se encontre repetida!

2. Fuja ao máx. da utiliz. de abrev., pq elas tb empobrecem qquer. txt ou mensag. que vc. escrev.

3. Remember: Estrangeirismos never! Eles estão out! Já a palavra da língua portuguesa é very nice! Ok?

4. Você nunca deve estar usando o gerúndio! Porque, assim, vai estar deixando o texto desagradável para quem vai estar lendo o que você vai estar escrevendo. Por isso, deve estar prestando atenção, pois, caso contrário, quem vai estar recebendo a mensagem vai estar comentando que esse seu jeito de estar redigindo vai estar irritando todas as pessoas que vão estar lendo!

5. Não apele pra gíria, mano, ainda que pareça tipo assim, legal, da hora, sacou? Então joia. Valeu!

6. Abstraia-se, peremptoriamente, de grafar terminologias vernaculares classicizantes, pinçadas em alfarrábios de priscas eras e eivadas de preciosismos anacrônicos e esdrúxulos, inconciliáveis com o escopo colimado por qualquer escriba ou amanuense.

7. Jamais abuse de citações. Como alguém já disse: “Quem anda pela cabeça dos outros é piolho”. E “Todo aquele que cita os outros não tem ideias próprias”!

8. Lembre-se: o uso de parêntese (ainda que pareça ser necessário) prejudica a compreensão do texto (acaba truncando seu sentido) e (quase sempre) alonga desnecessariamente a frase.

9. Frases lacônicas, com apenas uma palavra? NUNCA!

10. Não use redundâncias, ou pleonasmos ou tautologias na redação. Isso significa que sua redação não precisa dizer a mesmíssima coisa de formas diferentes, ou seja, não deve repetir o mesmo argumento mais de uma vez. Isso que quer dizer, em outras palavras, que não se deve repetir a ideia que já foi transmitida anteriormente por palavras iguais, semelhantes ou equivalentes.

11. A hortografia meresse muinta atensão! Preciza ser corrijida ezatamente para não firir a lingúa portuguêza!

12. Não abuse das exclamações! Nunca!!! Jamais!!! Seu texto ficará intragável!!! Não se esqueça!!!

13. Evitar-se-á sempre a mesóclise. Daqui para frente, pôr-se-á cada dia mais na memória: “Mesóclise: evitá-la-ei”! Exclui-la-ei! Abominá-la-ei!”

14. Muita atenção para evitar a repetição de terminação que dê a sensação de poetização! Rima na prosa não se entrosa: é coisa desastrosa, além de horrorosa!

15. Fuja de todas e quaisquer generalizações. Na totalidade dos casos, todas as pessoas que generalizam, sem absolutamente qualquer exceção, criam situações de confusão total e geral.

16. Como já repeti um milhão de vezes: evite o exagero. Ele prejudica a compreensão de todo o mundo!

17. Por fim, Lembre-se sempre: nunca deixe frases incompletas. Elas sempre dão margem a

Fonte: webnota10.blogspot.com.br via Revista Fantástica

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Armaduras

Acusaram-no de amar! Sim, isso às vezes soa como acusação.

A primeira vez que ele disse que amava, acreditava fielmente nisso, mas o tempo tratou de denunciar seu engano. O outro “eu te amo” já saiu meio às dúvidas pela experiência do primeiro e, onde há incerteza perdura o amor não se alicerça. Também falou um “eu te amo” com todo o fervor que sua alma possuía e teria repetido isso por toda vida, no entanto, a ouvinte dessas palavras brincou com elas e descartou-as. Esse foi o mais doloroso.

Todavia, uma coisa é fato: ele nunca disse um “eu te amo” sabendo piamente que não amava. Pois, o erro é inerente ao ser humano, mas a enganação, principalmente sentimental, é uma chaga no caráter e desprezível.

Todas as tropas partiram para o norte, ele marchava para sul. Contra a corrente, frente à honra. Chamaram-no de covarde e, para um cavaleiro não há ultraje pior. Ele engoliu as injúrias, não por ser realmente covarde, mas justamente, porque pela primeira vez na vida estava sendo verdadeiramente corajoso. Não havia espada que vencesse a sua em todo o reino, enfrentou as mais terríveis feras, venceu guerreiros sanguinários e, agora percebia que nunca fora corajoso de verdade. A verdadeira valentia está em seguir o coração.

Teria sido mais fácil se ela fosse uma simples donzela acomodada com seu destino recheado de clichês. Não era. Ela tinha sonhos, objetivos e personalidade. Destruiu o muro de autodefesa que envolvia o coração dele. E fazia-o mover-se sem ter a mínima noção do futuro, sem planos, apenas querendo viver.

Quando ele finalmente achou que estava amando e sendo amado; ela partiu.

Como entender? A razão simplesmente é sepultada quando o peito sente-se amassado e quando os pensamentos mergulham no caos da rejeição.

“Você precisa ser livre”, dissera o bilhete de despedida. Não tinha compreendido o real sentido daquelas palavras até aquele momento.

Do alto da colina uma pequena vila vencia o horizonte, sentada embaixo de uma árvore estava uma moça, seus cabelos escuros cacheando-se ao vento e os olhos negros focados em um livro surrado.

Ele desceu do cavalo, tirou a armadura, pois não havia necessidade de defender-se, jogou a espada, não precisava mais ferir para não ser ferido. Livrou-se das botas e sentiu o chão e, com o elmo lançado ao ar entregou-se à vulnerabilidade.

Seus olhares cruzaram-se.

Ambos correram. Seus sorrisos reacenderam o sol que estava prestes a esconder-se. E quando finalmente se abraçaram, ele tocou seus cabelos, acariciou sua pele morena.

— O amor — Disse ele ofegante.
— Nos faz livres. — Ela completou.