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Bons sonhos, papi!

A faca entrou com uma facilidade que ela não esperava. Tinha apenas 13 anos e não imaginava ter tamanha força. O sangue que escorreu sobre sua mão estava quente. Quase fraquejou quando ele começou a apertar seu pescoço, ela girou o punhal, a dor obrigou-o a largá-la e fez com que ele caísse com as costas no chão. A menina levantou e sentou sobre o homem que agora empurrava seu intestino de volta pelo furo, o pavor estava no rosto dele, tentou gritar por socorro, entretanto, a arma transpassou sua garganta e furou o carpete, fazendo-o golfar sangue. Os olhos esbugalhados não fecharem-se para a morte deixando o cadáver com uma expressão de medo. Ela chorava, e não sabia muito bem o motivo. Arrependimento não era; talvez fossem lágrimas de alívio, de liberdade. Calmamente foi até a cômoda, pegou uma meia e limpou a lâmina. Dirigiu-se até o banheiro, tirou a camisola rasgada, tomou um longo banho e vestiu roupas velhas. Voltou ao quarto e deitou-s...

Porquês – Baladas das Terras-de-Sempre

Se os gêiseres respiram vapores Por beberem água; Um dragão cospe fogo Por que bebe lava? Se os matuters são brancos Pela influência do gelo Por que os os homens de neve Possuem pelos negros? Se as Terras são de Sempre Não tem começo nem fim? Diga-me por que um fire Não pode aprender sorrir? Matuters – Leões gigantes de pelo branco que habitam o Reino Gélido Homens de neve – Habitantes do Reino Gélido Fire – Diminutivo de Sanfire, dinastia que governa o Império Flamejante Para entender o universo onde esta canção está inserida, leia As Letras Históricas das Terras-de-Sempre

O Terror de São Vicente – Part II

     — Está proibido até de passar perto da cela. — Disse o prior de minha Ordem Religiosa.      — Mas, senhor. Os relatos que consegui podem ser importantes para o tribunal inquisitório.     — Seus relatos são desnecessários. Já há provas o suficiente para condená-lo. — Respondeu severamente Pe. José de Maria, que depois aplacou sua ira e falou-me:      — Luis, escute o que  digo. É extremamente perigoso escutar o que as forças do inimigo falam. Lembre-se que Henrique era um inquisidor, um dos melhores, chegou até a ser chamado de O Novo Torquemada, no entanto o contato com a Feiticeira Vermelha o corrompeu. Ela foi queimada, mas Henrique passou a servir unicamente às trevas. Sendo assim, não desobedeça mais minhas ordens para sua própria segurança.      — Está certo, padre. Tem minha palavra.      Retirei-me ao meu quarto. Foi u...

O Terror de São Vicente – Parte I

      E stava muito nervoso, mãos suadas e um pouco trêmulas. Sentia uma presença terrível dentro daquela cela, havia ordens expressas dizendo que, de forma alguma, o prisioneiro deveria ser liberto das correntes que lhe prendiam pulsos e pernas, ou da mordaça de couro que tampava-lhe a boca. Mas, minha curiosidade foi maior.      Depois de alguns dias conversando, levando comida e cuidando de seus ferimentos, O Terror, concordou em relatar suas memórias. Que historiador resistiria a tal tentação? Fui escondido até a prisão de pedra erguida no meio da mata. Eu era o único autorizado a passar pela guarda. Tinha por missão exorcizar a criatura maligna ali presa. Talvez eu tenha sido seduzido, talvez tenha sido um erro escutá-la, no entanto, não poderia perder a oportunidade de registrar o que diria o ser mais caçado pela inquisição.      Sentado à minha frente estava o ex-padre Henrique Gonçalvez, lendário p...

De frente com o inimigo

Do lado de fora do quarto era possível escutar uma única voz e cada vez mais alta: — Idiota! Sempre soube que me odiava, mas nunca imaginei que você fosse capaz de tamanha maldade! Capaz de atentar contra minha vida? — Momento de desespero? Enxugue suas lágrimas, fracote, não vai conseguir enganar-me fingindo ter sentimentos. Seu destino é ficar só. Resta-lhe somente a solidão e a tristeza. — Como ousa rir em uma hora dessas. Desgraçado! Arrancarei de seu rosto essa alegria! Dentro do quarto sangue respinga por toda parte. No chão, restos do espelho quebrado por um soco. Miniconto com 96 palavras

Alvoroço no Jardim do Éden

         Estava tranquilo, recostado em uma moita, mordicando uma bela e laranjadíssima cenoura, quando minhas grande orelhas dectetaram um possível tumulto. Mal levantei meus atentos olhos e um cervo quase esmagou-me ao saltar sobre as cinerárias ao meu lado. Foi nesse momento que vi a terrível confusão. Mamíferos, répteis, aves — até peixes! — corriam, voavam, nadavam ou rastejavam alucinados pela floresta. Vinham de todas as partes, um leão que vivia na margem do Pison passou imponente e ofegante, uma pantera que habitava perto do Ghion cruzou minha frente rápida como o vento, um pássaro da região do Tigre, voava baixo conversando com os seres terrestres. Não compreendia o que era aquela algazarra. Avistei uma lebre do Eufrates; corri e gritei:      — Parente o que se passa?      — Me siga, parente — respondeu — parece que Yahweh está trabalhando em mais uma grande obra.       ...

Opinião: A Batalha do Apocalipse - Eduardo Spohr

Sinopse Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o juízo final. Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedom, o embate final entre Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo. Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas também uma jornada de co...