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A boa regra gramatical jamais deve ser uma camisa-de-força semântica nem sintática

Por Sidney Silveira - Blog Contra Impugnantes QUEM NÃO CONSEGUE apreciar as dissonâncias oriundas das quebras conscientes de algumas normas gramaticais em prol da expressividade ou da clareza jamais poderá ser verdadeiro escritor. O motivo é elementar: o uso virtuoso de um idioma jamais se limita aos ditames da ciência normativa da linguagem, à qual chamamos gramática, mas pressupõe o domínio de algo que lhe é anterior, a saber, a índole mesma da língua, constitutivo formal de que a própria gramática se vale para codificar tendências e potências jazentes na estrutura mental de uma coletividade de falantes e escreventes de qualquer língua que seja. Não se chega, portanto, a um nível de compreensão superior de nenhum idioma apenas com a leitura dos bons gramáticos, pois esta deve ser complementada pela inescapável recorrência aos grandes poetas e prosadores, que elevaram o padrão da linguagem conotativa ao estado da arte. Por isso a boa regra gramatical jamais deve ser uma camisa-de-f...

A conversão de um deus

Definitivamente Spuk é um deus mal. Não importa o que os sacerdotes do alto templo digam, não acredito neles. Spuk é o deus do mundo, os Louvadores dizem que sentado em sua cripta em Aviloan ele escreve nossas histórias com sua pena de misericórdia. Tenho uma visão diferente. Acredito que Spuk, em sua sodomia, gargalhe com nossa desgraça, pois desde que apareceu restou-nos apenas o caos. Há alguns anos tínhamos outros deuses. Rochedo, Senhor da Terra, Aurora Senhora dos Céus, Marinho, Senhor das Águas, Homo, Senhor dos Viventes e, Rajada, Senhora dos Ventos. Todos reinavam a partir de Aviloan, o grande monte redondo do céu noturno. Eu era criança, mas lembro de momentos bons. Vivíamos do que o mundo provia. Caça, pesca e colheita. Essa era a vida de todos em Camposverdes. Nós tínhamos uma pequena casa na Colina das Flores, atrás uma horta onde crescia nosso alimento e um pouco de nosso comércio. Ao lado o riacho proporcionava alguns peixes. Também descíamos em direção...

Memórias de um Guerreiro Orgulhoso

Nosso povo pode ser dividido em três categorias: Guerreiros, escravos e bárbaros (alguns os chamam de selvagens). Não cabe a nós a escolha, nascemos e somos o que somos. Poucos conseguiram mudar isso e não fui um desses. Pelo contrário, nasci guerreiro e sempre tive orgulho disso. A linhagem de minha família pode ser traçada até os maiores soldados que nosso povo viu. Nós estávamos lá com os Templários atacando os mouros em Jerusalém, vencemos desertos com os Teutônicos, libertamos reinos, fundamos impérios, foi graças a nossa força que o mundo tornou-se o que é. Infelizmente poucos reconhecem isso. Minha família ajudou na libertação do reino de Portugal e com um tempo desembarcou nas Terras de Santa Cruz, hoje chamadas de Império do Brasil. Quantos eu empurrei para morte? Não sei. Sobre quantos cadáveres andei? Impossível contá-los. O sangue nunca me assustou, a morte nunca foi problema e isso me transformou em um guerreiro inabalável. Nesse momento estou ao lado de m...

Aconteceu alguma coisa, pensei. Ficou pior quando deixei escapar a pergunta que nunca deve ser feita a uma mulher: — Eu fiz algo de errado? Idiota! É isso que sou. Essa pergunta entra no subconsciente feminino como uma confissão de culpa assinada fazendo rir o carrasco que habita o íntimo delas. — Ah, você não sabe, Leo? — Ela respondeu com aquele olhar que não tem o poder de penetrar na alma, mas faz o espírito tremer. Por isso isso martelava na minha cabeça: O que eu fiz? Será que esqueci alguma data importante? Tinha que buscar a resposta. Fui correndo ao quarto; três palmos na parte trás do guarda-roupa. Puxei a fresta solta e… Lá estava meu tesouro! O caderno onde tenho escrito todas as datas relevantes para ela.  Aniversário de casamento eu já lembrei, inicio do namoro e primeiro beijo também; Aniversário da sogra… Infelizmente recordei. Primeira mordida no pescoço… Confere. Data do primeiro sonho-de-valsa que dei para ela… Lembrado. Aniversário do Broke, o cachorro que prese...

Dicas de escrita com uma dose de bom humor

1. Evite repetir a mesma palavra, porque essa palavra vai se tornar uma palavra repetitiva e, assim, a repetição da palavra fará com que a palavra repetida diminua o valor do texto em que a palavra se encontre repetida! 2. Fuja ao máx. da utiliz. de abrev., pq elas tb empobrecem qquer. txt ou mensag. que vc. escrev. 3. Remember: Estrangeirismos never! Eles estão out! Já a palavra da língua portuguesa é very nice! Ok? 4. Você nunca deve estar usando o gerúndio! Porque, assim, vai estar deixando o texto desagradável para quem vai estar lendo o que você vai estar escrevendo. Por isso, deve estar prestando atenção, pois, caso contrário, quem vai estar recebendo a mensagem vai estar comentando que esse seu jeito de estar redigindo vai estar irritando todas as pessoas que vão estar lendo! 5. Não apele pra gíria, mano, ainda que pareça tipo assim, legal, da hora, sacou? Então joia. Valeu! 6. Abstraia-se, peremptoriamente, de grafar terminologias vernaculares classicizante...

Armaduras

Acusaram-no de amar! Sim, isso às vezes soa como acusação. A primeira vez que ele disse que amava, acreditava fielmente nisso, mas o tempo tratou de denunciar seu engano. O outro “eu te amo” já saiu meio às dúvidas pela experiência do primeiro e, onde há incerteza perdura o amor não se alicerça. Também falou um “eu te amo” com todo o fervor que sua alma possuía e teria repetido isso por toda vida, no entanto, a ouvinte dessas palavras brincou com elas e descarto u-as. Esse foi o mais doloroso. Todavia, uma coisa é fato: ele nunca disse um “eu te amo” sabendo piamente que não amava. Pois, o erro é inerente ao ser humano, mas a enganação, principalmente sentimental, é uma chaga no caráter e desprezível. Todas as tropas partiram para o norte, ele marchava para sul. Contra a corrente, frente à honra. Chamaram-no de covarde e, para um cavaleiro não há ultraje pior. Ele engoliu as injúrias, não por ser realmente covarde, mas justamente, porque pela primeira vez na vida estava send...

3 Obras literárias que te darão medo do mundo atual

Como entender o que tem acontecido no mundo? Como situar sua mente diante de tantas ideologias diferentes que tentam dominar o cenário? Como não ser um robô a serviço do totalitarismo? Sem muita conversa deixo três clássicos que depois de lidos o deixará com medo dos tempos em que vivemos, mas não apenas isso, esses livros  também te dará uma nova e completa visão do que tem acontecido no planeta: 1 – 1984 de George Orwell Winston, herói de  1984 , último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winst...