Sobre meus contos

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Outra metade


Por Jefferson Nóbrega

O coração é algo interessante; ele é rebelde. Enquanto o cérebro é o ditador do nosso corpo, tendo tudo sujeito a sua vontade, o coração é insubmisso, um revolucionário sem causa, sempre disposto a contestar qualquer decisão que consideremos racional.

Como um revolucionário suas decisões nem sempre são sábias, às vezes catastróficas e, por esse motivo cada vez mais temos aprendido a ignorar sua insurgência. Será sábio trancarmos de tal forma? Deixar a vida à regência do comodismo ou ao medo de uma mudança radical?

Tais questionamentos perpetravam na mente de Laura enquanto no banco da praça observava as pessoas passando. Cada uma perdida em seu mundo particular, em seus smartphones e fones de ouvidos, todos arrumando formas de ocultar o grito que se prende ao peito. Preferindo a vida virtual. Menos dolorosa. Menos vida.

Lágrimas escorreram por seu rosto. Não compreendia bem o porquê. No entanto, sabia de quem era a culpa: o coração estava suplantando a razão. Lembranças dolorosas foram ressuscitadas, entretanto, junto com elas a estranha sensação de liberdade, pois doeram e foram vencidas, portanto, de nada vale tanta proteção, esconder-se não é viver, concluiu.

— Boa noite. — Um jovem sentou ao seu lado e cumprimentou-a. Ela enxugou os olhos, envergonhada e respondeu de forma um pouco ríspida com objetivo de evitar a conversa.

— Desculpe-me ser invasivo — ele insistiu — mas, por que chora em uma noite tão bela?

— Nada não. Só estou pensando. — Cogitou levantar e ir embora, mas ficou.

— Há um pensador que diz que é impossível chorar e pensar ao mesmo tempo, pois cada lágrima derramada absorve um pensamento. — Ela suspirou já irritada, afinal era seu universo particular que estava sendo invadido. Falou:

— Desculpa, mas eu te conheço para ficar opinando na minha vida? — O jovem insistiu:

— Há um conto de Haruki Murakami que fala sobre um homem...

— Me desculpe, estou de saída. — Ela preparou-se para levantar, ele tocou-a levemente em seu braço e disse:

— Você já encontrou a pessoa que nasceu para você? — Ainda sentada ela riu:

— Isso não existe. — Com um sorriso aos lábios o rapaz começou a falar:

— Um homem passeava tranquilamente por Tóquio quando encontrou a garota 100% perfeita para ele. Ele teve a certeza disso ao vê-la. Sabia naquele exato momento que ele nasceu pra ela e ela pra ele. Ela não era a mais bonita, não chamava atenção, não era o tipo de mulher que ele sempre desejou levar pra cama. Porém, era a metade que faltava para completá-lo.

Laura pegou-se recostada no banco novamente, entretanto, o papo ainda não convecia:

— Ele foi falar com ela e se amaram. Felizes para sempre. — Ela ironizou.

— Não. Ele não abordou-a. Ela passou direto por ele, até trocaram olhares, mas a garota perfeita sumiu na multidão, nunca mais foi vista.

— Espera. Você me encontra chorando e pra me animar me conta uma história dessas? Ah vá!

— Ele teve medo, não sabia o que dizer. E deixou-a passar.

— Então merece ficar só, pela covardia! — Laura bradou.

— É aí que tá, vemos sempre a capa e esquecemos da profundidade dos sentimentos. Na mesma cidade décadas antes dois jovens adolescentes se encontraram. Foi um amor avassalador. Tão profundo que não tinham dúvidas de que eram verdadeiramente almas gêmeas. Completavam-se. Amavam-se intensamente. Entretanto, por uma idiotice resolveram testar esse amor. Era algo tão mágico que temiam ser precipitados. Dessa forma combinaram de se afastarem por um tempo, sem qualquer notícia um do outro; se fosse um amor pra vida inteira se encontrariam novamente, pensaram. Acontece que as famílias de ambos acabaram mudando de cidade e pra piorar, anos depois uma epidemia de febre deixou os dois em coma. A doença foi tão devastadora que fez com que perdessem completamente a memória. Graças à sorte sobreviveram e se recuperaram da doença, cresceram e reconstruíram suas vidas do zero, sem passado. Até que um dia se encontraram em uma rua de Tóquio. Ele teve a certeza de que amava àquela mulher mesmo sem conhecê-la. Ela quando olhou-o sentiu algo forte dentro dela. Instigando-a a conhecê-lo, a amá-lo. Porém, seguiram seus caminhos, pois eram apenas desconhecidos e amor a primeira vista era ilusão.

Laura ficou parada, o jovem deu um sorriso e falou:

— Não deixe a vida passar diante de seus olhos, Laura. — Levantou e foi caminhando.

Ela ficou tão perdida nos seus pensamentos que quando percebeu pulou do banco e gritou:

— Eiii! Espera como sabe meu nome? — Saiu correndo esbarrando nas pessoas até puxá-lo pelo braço. Ainda não tinha olhado direito para ele com vergonha dos olhos vermelhos do choro. Porém, paralisou e sorriu com aquele olhar.

— Me diga, como sabe meu nome, quem é você? — Ela falou em um quase sussurro. Ele segurou suas mãos, aproximou-se e respondeu em seu ouvido.

— Talvez eu seja o homem perfeito para você. Sua alma gêmea te despertando do transe da vida moderna.

Deu-lhe um beijo no rosto e foi saindo, ela em uma coragem que nunca tivera na vida correu, puxou-o e beijou-na boca de uma forma apaixonante, como se fossem velhos amantes.

Quando terminaram, o jovem simplesmente entrou em um taxi e foi embora. Laura novamente sentou-se no banco; primeiro suspirou com o acontecido, ainda estava em transe, porém depois chorou por retornar ao mesmo lugar. O frio apertou e ela agasalhou as mãos no casaco. Foi quando notou um papel em seu bolso. Sua face foi tomada de espanto. Era uma foto de quando tinha dezesseis anos, estava com sua turma de escola e lhe abraçando estava ele. Ricardo, lembrou o nome. Virou a foto e tinha um telefone com a inscrição:

“Laurinha, a amnésia acabou”.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Românticos e romantismo



Jefferson Nóbrega

Romantizaram os românticos, isso é terrível! 

Quando se fala em homem romântico há uma visão totalmente errada vigente. O romântico pintado pela modernidade não é um romântico é um chato. Não somos isso. Nós românticos não somos grudentos, não estamos esperando-as com flores na mão e Shakespeare nos lábios, podemos fazer isso claro, porém não dedicamos nossas vidas a sermos nauseantes. 

Não se enganem também, ser romântico não é um selo de fidelidade. Casanova, o maior dos sedutores, foi um dos mais românticos que pisou nesse planeta. 

O homem romântico na verdade é alguém que vive seus sentimentos na simplicidade, sem maquinações, sem jogos ou máscaras, é sincero, ele é feliz e contagia com essa felicidade quem ele ama. Ele não se importa com o que falar, já que escuta o coração, não se importa como agir, pois viver é algo natural, sequer liga que seu texto tenha a palavra “romântico” em cada linha, pois o importante é o sentimento expressado. 

De uma vez por todas, não somos entediantes, não passamos o dia falando sussurradamente, nem ligamos de meia e meia hora, sim pensamos em vocês sempre, mas sabemos como expressar isso de forma magnífica.

Esses estereótipos criados são apenas formas para os chatos se justificarem. Eles não nos representam!  

O que torna um homem romântico? É a simples capacidade de expressar e viver o que há no seu íntimo de maneira intensa e nos momentos certos. 

É isso que somos! Homens intensos, nas flores ou na balada.

Somos sentimentos. Simples assim.