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quarta-feira, 29 de maio de 2013

"A Queda de Arthur" poema inédito de Tolkien chega ao Brasil em Dezembro

the fall of arthur
Os fãs de J.R.R. Tolkien no Reino Unido ganharam um presente nos últimos dias com o lançamento de The Fall of Arthur, poema inédito do autor de O Senhor dos Anéis.

[Atualizado 28/05] No Brasil, The Fall of Arthur está programado para chegar às livrarias, em português, em dezembro, acompanhando o lançamento do segundo filme da adaptação de O Hobbit.

Além do inédito de Tolkien, a editora Martins Fontes prepara para setembro o lançamento de uma edição revisada de Tree and Leaf, livro que inclui o ensaio On Fairy Stories, lançado anteriormente no Brasil com o título Sobre Histórias de Fadas, no qual Tolkien discute a natureza das histórias e seu papel na sociedade. [Atualizado]

Escrito nos anos 1930, o poema ganhou elogios do professor R.W. Chambers, amigo de Tolkien que citou o trabalho em uma carta ao autor. Apesar do elogio, "A Queda de Arthur" permaneceu inacabado e parte das dezenas de caixas de material foi deixada a Christopher Tolkien, filho do autor e encarregado de editar e publicar os textos inéditos do pai.

Inspirado por um texto do século 14 conhecido como Morte Arthure, The Fall of Arthur relata os eventos após a queda de Camelot, incluindo o remorso de Lancelot por ter traído com a rainha Guinevere seu rei e amigo, uma expedição de Arthur até as terras germânicas e a batalha naval em seu retorno para casa.

The Fall of Arthur voltou a aparecer na correspondência de Tolkien em 1955, quando o autor escreveu que esperava terminar o poema. O plano, entretanto, nunca foi executado, deixando para trás uma coleção de rascunhos, exercícios de métrica, sinopses e notas, que serviram de base para a versão agora lançada.
Essa edição em inglês já pode ser comprada no Brasil - compre The Fall of Arthur.

Via Omelete: http://omelete.uol.com.br/o-senhor-dos-aneis/cinema/fall-arthur-poema-inedito-de-jrr-tolkien-chega-livrarias/

terça-feira, 28 de maio de 2013

Este, esta, isto, esse, essa, isso: Pronomes demonstrativos, dêixis, anáfora e catáfora

Até o momento o texto mais elucidativo que encontrei sobre o assunto. Retirado do recomendado Uol Educação, de autoria Jorge Viana de Moraes mestre em Letras pela Universidade de São Paulo.

Observe os seguintes pronomes demonstrativos: este, esta, isto, esse, essa, isso. Como veremos, há diferenças de usos desses pronomes quando se fala e quando se escreve. Para tentar explicar essas diferenças, recorreremos à linguística textual.

A linguística textual nos ensina que um texto, para ser bem construído, ou seja, para ter textualidade (textualidade é o que faz de uma sequência linguística um texto e não um amontoado de frases ou palavras), tem de ter, basicamente, coesão e coerência.

Como se sabe, a coerência estaria ligada à possibilidade de estabelecimento de um sentido para o texto. Tal sentido obrigatoriamente tem de ser do todo, uma vez que a coerência é global. A coesão, por sua vez, estaria ligada, segundo os estudiosos dessa área do conhecimento, às partes superficiais, lineares, em outras palavras, à questão propriamente linguística do texto. De modo que a coesão seria obtida, parcialmente, através da gramática e, parcialmente, através do léxico.

Para o objetivo do nosso estudo, nos deteremos somente aos fatores de coesão. Sendo assim, os principais fatores de coesão textual, segundo Fávero e Koch (2002, p. 38), são: a referência, a substituição, a elipse, a conjunção (conexão) e a coesão lexical. Restringindo ainda mais este estudo, de acordo com nosso propósito, vejamos o que seja a referência.


Referência

Referência é definida, por Haliday e Hasan (1973), como um movimento de recuperação de elementos, que estão tanto dentro quanto fora do texto. Para separar esses dois tipos de referência, os autores denominaram exóforas as referências situacionais e endóforas as textuais.

As referências endofóricas se subdividem em aquelas que se referem a elementos anteriores (denominadas de anáforas) e aquelas que se referem a elementos posteriores (as catáforas). Acrescentamos aqui a noção de dêixis (ou díxis) à referência situacional (exofórica). Esquematicamente (de acordo com Fávero e Koch):



 A dêixis (ou díxis) designa o conjunto de palavras ou expressões (expressões dêiticas) que têm como função "apontar" para o contexto situacional (exófora) de uma dada interação.

 

Pronomes demonstrativos em função dêitica ou exofórica

Acreditamos que, deste modo, facilita-se o entendimento do uso dos pronomes demonstrativos, na medida em que o deslocamos para o quadro geral da teoria da enunciação. Ou seja, para dentro da cena da interação linguística face a face, em que o uso dos pronomes demonstrativos se faz mediante a função dêitica (espacial), por quem fala no momento em que fala. Assim:

a) Esta cadeira está quebrada. (= Esta cadeira [aqui perto de mim que falo, primeira pessoa do discurso] está quebrada.)
b) Passe-me essa caneta, por favor! (= Passe-me essa caneta [que está aí perto de você a quem falo, segunda pessoa do discurso], por favor).
c) Isso é seu? Refiro-me a essa bela gravata que está em seu pescoço.
d) Isto é meu! Estou falando deste relógio que está em meu pulso.



Pronomes demonstrativos em função endofórica ou textual

1. Por meio da anáfora (isto é, ao que precede) estabelece-se uma relação coesiva de referência que nos permite interpretar um item ou toda uma ideia anteriormente expressa no texto, por exemplo, pelos pronomes demonstrativos essa, esse, isso, como a seguir:

a) "Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa ideia nos parece estranha." [= Essa ideia de poder comprar ou vender o céu, o calor da terra.]
(Trecho da carta do Cacique Seatle, da nação Duwamish, da América do Norte, dirigida em 1855 a Franklin Pierce, presidente dos E.U.A. Traduzida por Irina O. Bunning.)

b) "Busquei, primeiro, o amor porque ele produz êxtase [...]. Eis o que busquei e, embora, isso possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi isso que - afinal - encontrei." [primeiro "isso" = a busca do amor; segundo "isso" = o amor].
(Bertrand Russel. Autobiografia. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967)

c) Pedro foi preso como estelionatário. Esse cara nunca me enganou. [Esse cara = Pedro].

2. Um elemento de referência é catafórico quando sua interpretação depender de algo que se seguir no texto; aqui, ele será representado pelos pronomes demonstrativos esta, este e isto. Exemplos:

a) Estas foram as últimas palavras do meu mestre: seja sincero com seus discípulos.
b) Quando saí de casa, meu pai me disse isto: seja bom, ame o próximo, e respeite a vida.
c) Este foi um divertido anúncio de uma revista: "Cara, se, tipo assim, o seu filho escrever como fala, ele tá ferrado!".

Jorge Viana de Moraes, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é mestre em Letras pela Universidade de São Paulo. Atua como professor em cursos de graduação e pós-graduação na área de Letras.

Bibliografia

  • FÁVERO, L. L. e KOCH, I. G. V. Linguística Textual: introdução. São Paulo: Cortez, 2002.
  • HALLIDAY, M. A. K. E HASAN, R. Cohesion in English. London: Longman, 1973.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Talvez haja um tesouro em sua casa



Tenho vivo em minha memória as visitas à casa da minha vó, que felizmente ainda as faço. Algo que sempre chamava minha atenção era um estante lotada de livros empoeirados, onde havia um grande acervo de literatura brasileira. Na época não tinha paixão pela leitura, esta mais preocupado em soltar pipa. Há dois anos, quando entrei no universo literário corri de volta até a casa da minha velhinha, mas ela informou-me que tinha doado os livros para a biblioteca do colégio público da quadra. Uma atitude nobre, tendo em vista a escassez de bons livros nas bibliotecas das escolas.

Hoje, pesquisando na Estante Virtual, percebi que na doação que foi feita pode ter ido um valioso tesouro. Quem sabe tinha naquele acervo uma primeira edição de "Grande Sertões Veredas de Guimarães Rosa", avaliado em R$ 550,00? E se a sorte fosse grande um autografado, que sai pelo valor de R$ 3.199,98?
Esses dias a primeira edição de Harry Potter foi vendida por 227.000 dólares!

Portanto, mesmo que você não tenha paixão pela leitura, cuide dos livros que há em sua casa, pois um deles podem ser verdadeiros tesouros.

Essa é a aventura de escrever

Ontem li uma entrevista do mestre George R.R Martin, autor das Crônicas de Gelo e Fogo, mas conhecida simplismente como Game of Thrones. Uma frase do autor chamou minha atenção, pois reflete exatamente o sentimento que tenho ao escrever. Transcrevo a pergunta e a resposta do escritor:

Muitos o pressionam para terminar as "Crônicas", até temem que não as termine. O sr. tem alguma orientação anotada, para o caso de não poder mais escrever?
Tenho algo anotado, sei como termina a história, mas não tenho tudo pensado, prefiro fazer isso à medida que escrevo. Essa é a aventura de escrever, quando os personagens vão a lugares não imaginados e até errados, me obrigando a reescrever.
Entrevista completo na Folha
Tenho dedicado meu tempo a um romance chamado "As Letras Históricas das Terras-de-Sempre", onde aprendi que escrever é o mesmo que ler. O final da história está em minha mente, mas não sei se continuará do jeito que imagino. Grande parte dos capítulos já escritos foram planejados de uma forma, mas moldaram-se por si mesmos, portanto, apesar de ter um esboço de como segue a história, não faço a mínima idéia do que pode surgi no caminho de El Roy, Berton Sanfire, Marki Sanfire, Caleb Misael, Savana, Serj e tantos outros personagens. E isso é que me faz apaixonar pela escrita, pois antes de escritas as histórias são vividas.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

CRASE COM NOMES PRÓPRIOS GEOGRÁFICOS


Um texto que ajudou-me bastante e que agora compartilho. Fonte: Âmbito Jurídico

Quando se trata de saber se diante dos nomes de cidades, estados e países se usa a ou à, fica valendo o mesmo princípio da determinação [V. Não tropece na língua 150], qual seja: se o nome é feminino e pode ser precedido pelo artigo definido A, existe a possibilidade do uso do “a craseado”.

Cidades

Como regra, NÃO se usa o acento indicativo de crase diante dos nomes de cidades, porque eles repelem o artigo definido, como se pode observar: “Salvador é uma festa. Venho de Florianópolis. Ele mora em Curitiba. Estivemos em Vitória”. Assim sendo, nada de crase:

Bem-vindos a Salvador.
Vamos a Blumenau.
Refiro-me a Imperatriz - MA.

Somente quando modificados por algum elemento restritivo ou qualificativo é que os nomes de cidade podem receber o artigo feminino e portanto a crase. São casos raros:

Bem-vindos à Florianópolis das 42 praias.
Fomos à bela Blumenau.
Refiro-me à Brasília dos excluídos, e não dos políticos endinheirados.

Estados

Em princípio, só dois estados brasileiros admitem a crase: a Bahia e a Paraíba. As demais unidades da Federação ou são nomes masculinos (o Amapá, o Acre, o Amazonas, o Ceará, o Espírito Santo, o Maranhão, o Mato Grosso do Sul, o Pará, o Paraná, o Piauí, o Rio de Janeiro, o Rio Grande do Norte, o Rio Grande do Sul, o Tocantins) ou repelem qualquer artigo (Alagoas, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Roraima, Sergipe). Sendo assim:

Bem-vindos à Bahia.
Vamos à Paraíba e a Santa Catarina.
Esse patrimônio incalculável pertence a Goiás.
Refiro-me ao Rio Grande do Sul e ao Pará.

Quanto a Mato Grosso, embora originalmente o artigo seja dispensável, há uma hesitação: quando não acompanhada da palavra “estado”, é comum (provavelmente por analogia com o Mato Grosso do Sul) a construção “o Mato Grosso, do Mato Grosso, no Mato Grosso”. Mas sempre se dirá “o Estado de Mato Grosso” – é a forma oficial.

Países

A presença da crase diante de um nome de país depende de ser esse nome determinado ou não pelo artigo feminino A. Entre os países que levam artigo - e que constituem a maioria - alguns são masculinos (o Canadá, os Estados Unidos, o Japão, o Chile), outros femininos (a Rússia, a Venezuela, a Índia). Existem países que rejeitam o artigo, como Portugal, Israel, Angola, Moçambique, São Salvador, Liechtenstein. E há nomes de países que se usam tanto com o artigo quanto sem ele, principalmente quando regidos de preposição – os brasileiros preferem com o artigo; os portugueses, sem ele: na França/em França; da Itália/de Itália; na Espanha/em Espanha; da Inglaterra/de Inglaterra. O mesmo vale para o continente: da Europa/de Europa. Portanto, escrevemos:

Bem-vindos à Argentina.
Quanto à Europa, refiro-me à França, à Áustria e à Alemanha.
O presidente chegou à Inglaterra por volta do meio-dia, mas não foi a Londres.
Enviamos saudações à Colômbia

* Maria Tereza de Queiroz Piacentini - Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros "Só Vírgula", "Só Palavras Compostas" e "Língua Brasil - Crase, pronomes & curiosidades" -
www.linguabrasil.com.br

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Livro de Harry Potter é vendido por 227.000 dólares



Um exemplar da primeira edição de 1997 do livro Harry Potter e a Pedra Filosofal, com anotações da autora, J.K. Rowling, foi vendido na terça-feira por 150.000 libras (227.000 dólares) em um leilão na Sotheby's de Londres.

O livro contém anotações e 22 ilustrações originais de J.K. Rowling, autora da saga do jovem bruxo que vendeu milhões de exemplares em todo o planeta.

O valor representa um recorde para um livro de um autor britânico. Ao lado do livro de Harry Potter também foram vendidas 50 edições originais de autores britânicos e da Commonwealth (Comunidade Britânica) por 439.000 libras.

(Com agência France-Presse)
Fonte: Veja

Os Sete Pecados em Sete Minicontos


Gula

Ela quase explodiu de tanto comer; ela tanto comeu querendo explodir.

Avareza

Era tão apegado aos seus bens, que agora jaz em um vaso de porcelana.

Luxúria

Se entregou a vários homens, mulheres e objetos. Penetram-na, mas jamais preencheram-na.

Ira

Socou tanto, que o rosto do inimigo ficou idêntico ao seu.

Inveja

Olhava para o lado quando o abismo surgiu à frente.

Preguiça


Soberba

De tão orgulhoso quase não pisava no chão, sem perceber, deixava expostas as fezes nas solas de seus sapatos.


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Broke – Missão cumprida



Os empiristas teorizam que o homem ao nascer é semelhante a uma folha em branco, pronto para receber a tinta de todo o círculo social, os inatistas bradam o contrário, afirmando que personalidade, valores, hábitos, crenças, pensamento e emoções nascem atreladas ao nosso ser. Sinceramente, os da minha raça não são dados à profundas reflexões, apesar de nosso alto QI, preferimos como se diz popularmente: “Cuidar do nosso próprio rabo”. Espera, acho melhor explicar-me. Rabo não é no sentido chulo, é literal mesmo. Sou um Urat, que em nossa língua significa “Seres Honrados”, no entanto, sou mais conhecido como: Cão, cachorro, au-au (odeio esse), fofinho, coisinha e outras contorções linguísticas que só os filhotes de humanos são capazes de imaginar.
Mas, retornando ao raciocínio do início, acredito particularmente que o homem nasce como uma folha pintada por cores vivificantes. Uma soma de qualidades nascentes e conquistadas, mais ou menos, uma ponte entre o empirismo e o inatismo. Nessa folha, cada cor simboliza algo de majestoso que a natureza humana possui: Felicidade, beleza, força, lealdade, amor, paixão, inteligência, caridade e tantos outros dons maravilhosos que existem. No entanto, à medida que os humanos vão crescendo outras cores vão surgindo: inveja, raiva, vingança, ganância e tantos outros sentimentos vis. E, se nada é feito para preservar a bela tela colorida que é a vida, ela torna-se uma grande mancha preta.
Tive alguns uratiens, não consigo traduzir fielmente essa palavra, seria algo do tipo “lealdade linear”, ou seja, alguém em que confia-se plenamente. Vocês usam o horrível nome de “donos”, confundido assim, nossa honra com servidão. Porém, relevamos, pois sabemos que não são tão inteligentes quanto nós.
Sem querer estender muito, como falei anteriormente, tive alguns uratiens e observei que nesse mosaico colorido há um sentimento que pode criar a mais brilhante das cores ou a mais escura de todas: O amor.
Há alguns anos, meu dono resolveu “treinar-me” para uma missão. Destaco o verbo treinar entre aspas, porque jamais fomos treinados, apenas por devoção, fingimos; assim não ofendemos o ego humano. O treinamento consistia em ensinar-me a levar objetos a qualquer pessoa que eu fosse direcionado, aprendi rápido. Depois fomos até uma praça onde colocamos em prática, na verdade percebi que era um teste, modéstia à parte as pessoas me adoraram. Sou um Splitz Alemão Anão, também chamado carinhosamente de Lulu da Pomerânia, com o pelo bem tosado, eis aqui o cachorro mais fofo do mundo. Fazer o quê? Uns nascem para serem feios e bravos, outros para serem lindos, gostosos e galanteadores. Faço parte do segundo grupo. As pessoas me amam, assim como as cadelas.
Enfim, chegou o dia em que finalmente pude ver para que serviria meu treinamento. Chorei de emoção. Estávamos em nossa rua quando meu uratien entregou-me algo diferente dos jornais, bolas e papeis que tinha carregado nas últimas semanas. Foi colocada uma rosa vermelha em minha boca. Encostado em uma mureta meu dono fez um cafuné, por sinal muito bom, e apontou:
— Broke, lá!
Fui em direção de uma linda moça sentada no degrau de uma escada, possuía longos cabelos e grandes olhos negros, riu ao ver-me chegando e fiquei admirado com aquele sorriso. Ela chamou-me:
— Que lindo. Você está perdido amiguinho? — A voz era melodiosa e doce. Fiz meu serviço.
— O que é isso? Oôô uma rosa. Voxe é muito lindo. Oh! Tem um bilhete? — Ela desenrolou o papel e leu em voz alta:
— Você aceita sair comigo? — Notei quando seus olhos encontraram o do meu dono do outro lado da rua. Rindo ela pegou uma caneta escreveu no papel e me entregou. Corri até meu uratien. Pegando-me em seus braços e indo até a moça recebi um duplo abraço e senti o que vocês chamam de felicidade.
Infelizmente nosso tempo de vida é curto comparado aos humanos. E ver o lindo casal consolando as crianças diante da minha inevitável morte, me parte o coração.
No entanto, mesmo na dor, fico muito contente de ter colorido os papéis das vidas deles. Só posso dizer orgulhosamente:
— Missão cumprida.

Ortografia - Esta ou Está?

Atendendo ao pedido do sempre fiel leitor Claudeir, trago a diferença entre os dois termos.

Esta

Esta mesa não deveria estar aqui.
Esta é um pronome demonstrativo feminino e é usado para indicar algo no espaço, posicionando um objeto em relação a alguém.

O termo é uma paroxítona terminada em “a", portanto, não é acentuado.


Está
Você está pronto?
 Está é a flexão do verbo “estar” na terceira pessoa do singular do presente do indicativo. (Eu estou, tu estás, ele/ela está...) ou na segunda pessoa do imperativo afirmativo (está tu).

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Filme - Faroeste Caboclo

Há duas semanas publiquei a estréia do "Somos Tão Jovens", filme baseado na vida de Renato Russo e que tive o prazer de assitir. Agora venho convocá-los para assitirem "Faroeste Caboclo". Como um bom candango sempre adorei a música, especialmente pelo trecho:

Amanhã às duas horas na Ceilândia
Em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou

Sempre gostei desse trecho, pois sou ceilandense, e durante muitos anos morei em um "lote 14". Segue a Sinopse:



Elenco: Ísis Valverde, Alex Sander, Fabrício Boliveira, Felipe Abib, Rodrigo Dorta.
Direção: René Sampaio
Gênero: Drama
Duração: 100 min.
Distribuidora: Europa Filmes
Estreia: 31 de Maio de 2013
Sinopse: Faroeste Caboclo, adaptação da Canção de Renato Russo gravada pela banda Legião Urbana, conta a saga de João de Santo Cristo, desde sua infância no interior da Bahia até sua ida para Brasília no início dos anos 80 onde se envolve com o tráfico . Durante sua ascensão no crime ele conhece Maria Lúcia, uma menina linda , por quem se apaixona. Ele decide mudar de vida para viver ao seu lado mas parece ser tarde demais pra ambos: suas antigas conexões os colocam em oposição a Jeremias, um rico traficante local que também quer o amor de Maria Lúcia.
Curiosidades:
» Adaptação de uma das canções de rock mais inusitadas do país, 'Faroeste Caboclo', do inesquecível Renato Russo.

» Fabrício Boliveira, Felipe Abib e Ísis Valverde interpretaram, respectivamente, João de Santo Cristo, Jeremias e Maria Lúcia, personagens centrais da trama de 'Faroeste Caboclo'.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

In Bellum - Uma Crônica de Sangue e Fé

Em uma época em que a honra é o bem mais valioso de um homem, em que a fé mantém a sociedade unida, em que a força familiar sustenta o poder; nasce uma Ordem pronta para destruir tudo isso. Fé e sangue se misturam. Ferro, Dor e Ódio é o que restam. Em In Bellum - Uma Crônica de Sangue e Fé, Jefferson Nóbrega te levará para conhecer uma família tradicional, um templário, reis, uma sociedade secreta, famílias renomadas em um fatal jogo de poder. Hereges e heresias. Heróis e covardes. Uma paixão inesperada e ardente. Tudo isso ao som de espadas, gritos e tambores de guerra.

Raros leitores,

Deixo hoje para vocês um trecho do meu livro, In Bellum - Uma Crônica de Sangue e Fé, que está em fase de revisão. Gostaria de vossas opiniões.

Abraço!

Jefferson Nóbrega



In Bellum

As tropas estavam prontas, Felipe montava o Barbarus, ao seu lado seu escudeiro de treze anos, Mateus, filho de Júlio de Sertan, segurava o estandarte Geerrare, mais atrás Cipriano empunhava o balção de Lecênia, hoje ambos estaria sob seu comando. Ao seu lado José Rontfel e seus cavaleiros faziam o símbolo de sua casa tremular. Felipe ainda usava o manto templário, apesar de não saber mais o que fazer. Quando tornou-se membro da Ordem do Templo fez um voto de pobreza, castidade e lealdade. Portanto, não poderia ser senhor de nenhuma terra. E agora as circunstâncias o deixaram em uma delicada situação. Mas, preferiu não pensar nisso. Se sobrevivesse veria o que seria feito. E enquanto não fosse resolvido ele era um Soldado do Templo.

— Em marcha. — disse para Cipriano, e após o sinal do comandante o grito das trombetas transmitiram as ordens.

Ao todo, Felipe conseguiu juntar uma força de aproximadamente 700 homens. Somando os cavaleiros que escaparam de Villanueva, aos homens de Lecênia e Sexânia. Era uma força considerável, já que só os filhos de famílias nobres e voluntários lutam. O pelotão de elite ia caminhando a frente, com duzentos homens, armados de espadas, lança e escudos, e com homens corajosos e sedentos por uma batalha. Boa parte deles eram voluntários que perderam parentes e bens na revolta cátara, entre eles estava o ferreiro Urso, eram comandados por Júlio, da Casa de Sertan uma cidade de mesmo nome no território lecenio . Ao meio, liderada por Felipe, estava a cavalaria, duzentos nobres juramentados de Casas Menores. Por fim vinham cavaleiros e lanceiros da retaguarda, somavam cerca de cinquenta. Também os acompanhavam algumas mulheres e servos responsáveis por cuidar dos feridos e pela armação do acampamento caso houvesse cerco a fortaleza. O restante do contigente ficou guardando a fortaleza Rontfel. Avançaram poucos metros quando um grupo de batedores lecenios vieram cavalgando rapidamente. Passaram pelas fileiras e foram diretamente a Felipe:

Senhor! — seus cabelos voejaram quando ele parou. — Os cátaros! — Cipriano e José aproximaram. E o batedor continuou: — Os cátaros marcharam a noite, cruzaram o Rio Satre devastaram Vila do Senhor e estão vindo em nossa retaguarda. — Felipe puxou o escudo preso ao cavalo, era branco, grande com uma cruz latina vermelha , quis saber:


Quanto tempo levarão para chegar?

Dez minutos. Quinze no máximo. — disse o jovem ofegante.

Obrigado. Volte à sua posição. — Felipe ordenou e os batedores uniram-se ao restante da cavalaria amarela.

Reagrupar! — as trombetas soaram após a ordem de Felipe e o batalhão de elite parou — Rontfel — chamou e o homem aproximou-se — seus cavaleiros são maioria, portanto, leve seu flanco para a mata e aguarde meu sinal. — José Rontfel bradou a ordem e levou seus homens pela estrada que cortava a mata. Felipe marchou para atrás da muralha de escudos e seus cavaleiros assim o acompanhou. Cipriano interpelou:

Senhor e se eles atacarem Sexânia?

Não irão. Veja. — Ao longo no horizonte — Três cavaleiros observavam a movimentação. Levavam um estandarte vermelho que Felipe não conhecia, mas Cipriano sabia muito bem o que significava: — Cátaros — disse o comandante lecenio — seu estandarte não tem nenhum símbolo, demonstrando sua rejeição completa a matéria, e o vermelho é a representação do sangue, para eles caminho de purificação.

— Então os purificaremos hoje. — disse Felipe colocando o elmo cinza.


 
(In Bellum - Uma Crônica de Sangue e Fé - Nóbrega.J - Todos os direitos reservados)

terça-feira, 14 de maio de 2013

Sangrando - por Tpsuni

Meus primeiros rascunhos foram poemas de amor, poesias desiludidas, palavras encharcadas de romantismo. Assim expressei durante um bom tempo o que sentia, tentando mostrar que um homem também pode amar. Os tempos passaram e tive contato com a literatura fantástica, e o poeta apaixonado apaixonou-se por um novo mundo. O romântico tornou-se cavaleiro, o poeta guerreiro.

Mas, agora tenho acompanhado o blog de uma nova amiga, Maria Tereza Guedes, a Tpsuni, liberta de si mesma. O trabalho dela tem acordado o velho poeta que partiu para o exílio por medo dos dragões, elfos, orcs, cavaleiros, ogros e todos os seres que passaram a habitar esse meu universo particular.

Portanto, presenteio-os com mais um de seus belos textos:

Sangrando

Você não sabe, mas estou sangrando desde que você se foi. Todos nossos sonhos, planos, promessas, escorrendo pelo ralo. O que foi que aconteceu com todo aquele nosso amor? Em qual primavera perdemos nossas cabeças? Em qual folha de outono que secou a esperança? Ventos do leste te leva. Aguardo a tempestade pra te trazer de volta do lugar de onde nunca deveria ter saído.

~Maria Tereza
Não deixem de acessar os Rascunhos da Tpsuni.

Comentário em off e com "internetês" liberado: Além de ser uma ótima escritora, Tpsuni é linda. :D hehehe

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Tolkien - Uma nova mitologia

Como um apaixonado pela obra tolkiana tenho que reproduzir esse texto com o qual esbarrei na internet. O artigo é da Superinteressante:


Como J.R.R. Tolkien transformou toneladas de conhecimento acadêmico na mais complexa das sagas. E criou toda uma mitologia nova em folha. Com vocês, a mente por trás de O Senhor dos Anéis e O Hobbit

A época é o começo da década de 1930; o lugar, o escritório de uma casa modesta em Oxford, na Inglaterra. O sujeito sentado na escrivaninha, um professor universitário de meia-idade, está de língua de fora depois de corrigir centenas de provas de uma espécie de Enem britânico daquela época - trabalho braçal e chato, mas indispensável por causa da grana extra que trazia, em especial para alguém com quatro filhos para sustentar. O professor fica até emocionado quando vê que um dos estudantes deixou uma folha inteirinha em branco, permitindo que ele descansasse um pouco. Sabe-se lá o porquê, ele se vê tomado por um impulso irresistível de escrever naquela página uma frase enigmática: "Numa toca no chão, vivia um hobbit".

O resto é história. Na tentativa de "descobrir" que diabos era o tal hobbit, nosso professor, John Ronald Reuel (ou simplesmente J.R.R.) Tolkien, acabaria consolidando um dos universos de ficção mais amados (e lucrativos) da história. Seus livros venderiam centenas de milhões de exemplares no mundo todo, sem falar nos bilhões de dólares abocanhados pelas adaptações de sua obra-prima, O Senhor dos Anéis, para o cinema. E tudo indica que mais bilhões virão por aí com a versão cinematográfica em três partes do livro que surgiu a partir da frase misteriosa, O Hobbit - o primeiro filme chega neste mês.

Até aí, nada que J.K. Rowling (Harry Potter), ou até George R.R. Martin (A Guerra dos Tronos) também não tenham conseguido fazer, certo? De fato, mas é difícil negar que, cifras à parte, Tolkien ocupe uma categoria só dele. E não só pelo fato de ele ter criado, praticamente sozinho, o gênero da fantasia épica (ou a mania de autores desse gênero de usar iniciais para assinar seus livros). Tolkien é único porque nenhum autor, antes ou depois dele, conseguiu reproduzir com tamanha precisão a maneira como funcionam as mitologias "de verdade" (como a grega ou a escandinava).

Quando começou a escrever ficção, nas trincheiras e acampamentos militares da Primeira Guerra Mundial, Tolkien tinha como ambição criar "uma mitologia para a Inglaterra". No fim das contas, ele acabou conseguindo realizar algo bem mais grandioso: uma nova mitologia para o mundo inteiro.

Em certo sentido, Tolkien era o cara perfeito para a tarefa por causa de sua formação peculiar. Como professor na Universidade de Oxford, sua especialidade era a filologia, uma espécie de arqueologia linguística e literária.

Uma das tarefas dos filólogos é entender como as línguas evoluem - explicar, por exemplo, todas as modificações de sons e significados que fizeram uma palavrinha em latim, como tripalium, nome dado a um instrumento de tortura, virar "trabalho" em português.

Como esse exemplo indica, trata-se de um exercício que, além de ajudar muito na hora de criar dicionários e gramáticas, tem relevância direta para entender como as palavras expressam as ideias, as lendas e a história de um povo (no caso, deixa claro como os falantes das línguas latinas tinham sérias reservas quanto a esse negócio de trabalhar...). As descobertas da filologia "não trazem informações apenas sobre palavras, mas, principalmente, sobre as pessoas que as falavam", resume o filólogo britânico Tom Shippey, um dos principais estudiosos da obra de Tolkien, hoje aposentado depois de lecionar em Oxford e nos EUA.

As pesquisas filológicas, que ganharam enorme impulso ao longo do século 19, também permitiram outro tipo de arqueologia: a compreensão cada vez mais precisa de línguas e literaturas muito antigas ou praticamente "perdidas". E aí é que o bicho pegou para Tolkien. Explica-se: graças às técnicas filológicas, que incluem, por exemplo, a comparação de palavras em vários idiomas aparentados e a compreensão de como os sons das palavras tendem a mudar, textos antes difíceis, obscuros ou mesmo ilegíveis passaram a ficar mais claros. Isso lançou luz sobre narrativas antigas que contêm passagens quase impenetráveis para olhos modernos: a Bíblia, os épicos de Homero e - o mais crucial para Tolkien - a literatura medieval do norte da Europa. Ele descobriu esses textos - escritos em línguas como finlandês, islandês antigo, inglês antigo, galês e gótico - entre o fim do que hoje chamaríamos de ensino médio e o começo da faculdade. Acabou levando nota baixa nas disciplinas que cursava originalmente em Oxford (seu objetivo inicial era se especializar em latim e grego) por causa de seu fascínio por essas histórias estreladas por guerreiros orgulhosos, mulheres "belas como elfas", anões vingativos e, de vez em quando, algum dragão e seu tesouro.

Parece familiar, não é? A questão é que a principal característica dessas narrativas medievais que inspiraram Tolkien é o fato de pouquíssimas delas terem sobrevivido, para começo de conversa. No caso da Inglaterra do começo da Idade Média, a história é particularmente séria. Há um único grande poema épico que chegou até nós - Beowulf, a saga de um guerreiro que enfrenta ogros assassinos e um dragão. E só. Enquanto na Islândia algumas histórias ainda falavam sobre deuses (como Odin e Thor) e criaturas sobrenaturais, nada disso ficou preservado em inglês antigo.

Isso acabou deixando em Tolkien uma sensação terrível de vazio cultural, como ele explicou numa carta que enviou a um editor para tentar emplacar um de seus livros. "Desde meus primeiros dias, eu me entristecia com a pobreza de meu próprio e adorado país: ele não tinha histórias suas (ligadas à sua língua e ao seu solo), não da qualidade que eu buscava e achava (como um ingrediente) em lendas de outras terras. Havia lendas gregas e célticas, latinas, germânicas, escandinavas e finlandesas; mas nada inglês, exceto coisas empobrecidas de livros de segunda mão", escreveu ele.

Talvez você esteja se perguntando: e as histórias do rei Arthur e da Távola Redonda, não contam? "Sua naturalização [como lendas inglesas] é imperfeita", argumentou Tolkien. De fato, as lendas arturianas provavelmente tiveram seus começos entre populações celtas, que falavam galês, e que celebravam justamente a luta desses moradores nativos da Grã-Bretanha contra os anglo-saxões - invasores vindos do norte da Alemanha que, na vida real, conquistaram a Grã Bretanha e se tornaram os ancestrais dos ingleses modernos.

Pior ainda, quem realmente popularizou as histórias do rei Arthur foram escritores medievais franceses. E, ao que tudo indica, foi justamente a influência cultural da França que acabou soterrando as lendas e a literatura dos anglo-saxões depois do ano de 1066, quando Guilherme, o Conquistador - duque da Normandia, no norte da França - invadiu e subjugou a Inglaterra. Durante os 300 anos seguintes, a língua e a cultura da elite do país ficaram totalmente afrancesadas, e a memória da cultura anglo-saxã desapareceu - a ponto de até pouco tempo atrás haver dúvidas sobre se houve mesmo uma cultura anglo-saxã na ilha.

Mas Tolkien e outros filólogos da época tinham convicção de que, sim, ela existiu um dia, até porque Beowulf e os outros poucos poemas anteriores a 1066 continham breves alusões a personagens e histórias que apareciam em textos da Alemanha e da Escandinávia. Em seu livro The Road to Middle-earth ("A Estrada para a Terra-média", sem versão em português), Tom Shippey argumenta que a ficção de Tolkien é, em grande medida, uma tentativa de reconstruir esses cacos num conjunto bem organizado, que fizesse sentido e contasse uma grande história mitológica. De fato, é o que o filólogo-escritor parece ter feito, começando com a criação do mundo, no conjunto de textos publicado com o título de O Silmarillion após a morte dele. O perfeccionista Tolkien nunca conseguiu concluí-lo da maneira que desejaria em vida, mas não há dúvidas sobre as intenções do autor para a obra. A principal característica do majestoso mito da criação que inicia o livro é a tentativa de casar figuras parecidas com deuses pagãos com a ideia de que existiria um único Deus com D maiúsculo.

Esse Deus, Eru Ilúvatar, teria criado primeiramente um grupo de seres semelhantes aos anjos bíblicos, mas com um papel bem mais ativo: seriam os responsáveis por colocar em prática o plano divino para o Universo e por governar a Terra em nome do Criador. É claro que o poder acabaria subindo à cabeça de um desses "vices" cósmicos, que se rebela contra Deus. Trata-se de Melkor, a versão tolkieniana do Diabo. Essa figura satânica foi o mestre de Sauron, o vilão de O Senhor dos Anéis. A partir dessa cena inicial, o escopo grandioso da obra se mantém. Um dos motivos pelos quais a saga supera em complexidade todas as demais mitologias é justamente a maneira como autor arquitetou todo o processo de transmissão dessas histórias de uma geração para outra.

O primeiro truque que o filólogo empregou para isso parece loucura: fingir que ele não escreveu os livros, só os traduziu a partir de manuscritos antigos. O Senhor dos Anéis e O Hobbit seriam, pela lógica tolkieniana, apenas a tradução do "Livro Vermelho do Marco Ocidental", manuscrito que reuniria as memórias dos hobbits Bilbo, Frodo e Sam - J.R.R. realmente afirma isso nos prólogos e apêndices dos livros. E a coisa vai mais longe.

Tolkien sabia muito bem como os manuscritos medievais do mundo real englobam várias versões diferentes do mesmo livro, incluindo coisas como erros de ortografia, modificações feitas de propósito pelos escribas, anotações feitas nas margens etc. O escritor tirou partido desses detalhes para resolver uma pequena inconsistência entre O Hobbit, publicado em 1937, e O Senhor dos Anéis, cujo volume 1 saiu em 1954. É que, na primeira edição de O Hobbit, o personagem Gollum - aquele que chama o Anel de "meu Preciosssso" - até que era um sujeito gente fina. Quando propõe ao hobbit Bilbo um duelo de adivinhações, Gollum não só aposta de bom grado o Anel como prêmio pela vitória na disputa como, ao ser derrotado, aceita sem problemas. E até pede desculpas a Bilbo por não poder dar ao hobbit o Anel prometido (Gollum não sabe que, num lance de sorte, Bilbo já tinha pegado o objeto). "Nem sei quantas vezes Gollum implorou o perdão de Bilbo", escreve o narrador do livro. "Ele não parava de dizer: `Sssentimosss muito; nóss não queríamosss trapacear, queríamosss dar a ele nosssso único presente, se ele ganhasssse a competição¿. Ele até se ofereceu para pegar para Bilbo uns peixes suculentos como consolação."

Parece uma maluquice perto do Gollum sombrio dos filmes. É que, nessa versão da história, o Anel era só um artefato mágico - Tolkien ainda não havia decidido que o objeto era o "Um Anel" todo-poderoso do demoníaco Sauron. As edições posteriores de O Hobbit retratam um Gollum torturado pela posse do Anel.

Mas como conciliar as duas versões da história? Fácil: no prólogo de O Senhor dos Anéis, Tolkien diz que havia variantes do manuscrito escrito por Bilbo. Algumas cópias preservavam a versão "boazinha" da história - que o hobbit, já influenciado pelo Anel, inventou para afirmar que Gollum teria lhe dado o artefato de livre vontade. É o tipo de manipulação ideológica responsável, no mundo real, por versões alteradas de textos da Bíblia, por exemplo.

Outro fator importantíssimo para a ilusão de que os textos da Terra-média são uma mitologia "de verdade", com milhares de anos, e não a criação de um autor único ao longo de algumas décadas, é a maneira cuidadosa como Tolkien reciclava as próprias histórias. O que acontece é que as narrativas mais importantes de sua mitologia possuíam inúmeras versões: algumas mais curtas, outras mais longas, às vezes em prosa, outras vezes na forma de poesia (com centenas de versos). É um processo comum no caso de mitos reais, que eram transmitidos de geração em geração pela tradição oral e acabavam assumindo as formas mais diversas.

Graças a essa gigantesca massa de textos, Tolkien conseguia realizar truques como a citação, em meio à narrativa em prosa de O Senhor dos Anéis, de um "antigo" poema da época de O Silmarillion. Com isso, o leitor acaba tendo a impressão, mesmo que inconscientemente, de que existe uma tradição cultural gigantesca por trás de tudo.

E, claro, nenhum outro autor foi tão longe na viagem mental de criar idiomas para seu mundo fictício. A originalidade dele nesse quesito envolveu, mais uma vez, o rigor da filologia. Em vez de simplesmente inventar o vocabulário e a gramática das cerca de dez línguas de seu mundo, ele começava com um idioma ancestral (o equivalente do latim para o português, o espanhol, o francês e o italiano, digamos) e ia derivando as diversas "línguas-filhas", seguindo regras de mudanças nos sons das palavras já conhecidas no caso de famílias linguísticas de verdade. Um trabalho hercúleo. E único, como define o professor de língua inglesa Michael Drout, do Centro de Estudos Medievais do Wheaton College, nos EUA: "Todas essas qualidades são ímpares, seja entre autores de fantasia, seja em qualquer outro tipo de literatura".

O HOBBIT (LANÇADO EM 1937)
Um grupo de 13 anões liderados por Thorin Escudo-de-Carvalho, herdeiro do reino anão da Montanha Solitária, está em busca de um especialista para invadir o interior da montanha, que fora dominada pelo dragão Smaug. Então convocam o hobbit Bilbo Bolseiro, um sujeito caseiro e nada aventuresco, que acaba sendo arrastado para um mundo de monstros, batalhas e um anel mágico.

A SOCIEDADE DO ANEL (1954)
Na primeira parte de O Senhor dos Anéis, Bilbo e seu herdeiro, Frodo, descobrem que o anel de O Hobbit na verdade é o "Um Anel", no qual foi depositada a maior parte do poder de Sauron, o segundo Senhor do Escuro. O herói Frodo forma a Sociedade do Anel, com seus amigos hobbits e o mago Gandalf, entre outros, para destruir o objeto.

AS DUAS TORRES (1954)
A Sociedade do Anel é atacada por orcs e se separa. Enquanto Frodo parte para tentar destruir o Anel, os outros hobbits do grupo são capturados. Gandalf, o humano Aragorn, o elfo Legolas e o anão Gimli precisam estimular a resistência contra as forças de Sauron. No caminho para os domínios do vilão, Frodo e Sam encontram Gollum, o antigo dono do Anel em O Hobbit, que quer recuperar o artefato.

O RETORNO DO REI (1955)
Na conclusão de O Senhor dos Anéis, os exércitos de Sauron lançam ataques contra as últimas fortalezas da Terra-média que ainda impedem o triunfo do vilão. Aragorn tenta desesperadamente deter a maré da guerra e ganhar tempo para que Frodo e Sam finalmente destruam o Um Anel e aniquilem o poder do Senhor do Escuro de uma vez por todas.

AS AVENTURAS DE TOM BOMBADIL (1962)
Coleção de poemas, alguns já publicados em O Senhor dos Anéis. Dois deles versam sobre Tom Bombadil, misterioso personagem imortal que ajudou os hobbits a sair de sérios apuros na Saga do Anel. Outros poemas falam de monstros míticos ou têm uma pegada existencial. Na introdução, Tolkien afirma que os textos representam uma espécie de cancioneiro popular dos hobbits, editado anos depois dos eventos de O Senhor dos Anéis.

O SILMARILLION (1977)
Conta a criação do mundo de Tolkien e as origens de criaturas como elfos, anões e humanos. A parte principal versa sobre as guerras entre os elfos e o primeiro Senhor do Escuro, Morgoth, na disputa pela posse das Silmarils, joias criadas pelo maior artesão élfico. Também fala sobre a ascensão e queda da ilha de Númenor, a Atlântida de Tolkien, e resume a trama da Saga do Anel sob a perspectiva dos elfos.

 PANTEÃO DE TOLKIEN


HOBBITS
No universo de Tolkien, são um ramo da "raça dos homens", mas com a metade da altura e pés peludos. Gostam da vida simples e bucólica, cultivando a terra e vivendo em tocas.


OS VALAR E OS MAIAR

São espíritos que assumiram forma semelhante à humana para governar o Universo em nome do Criador. Seu rei é Manwë, senhor dos ares.



ELFOS

São a mais antiga das duas raças de seres inteligentes. Imortais, belos e sábios, estão destinados a ceder lugar aos mortais ao longo da história da Terra-média.



HOMENS

Nessa mitologia, os humanos são os "irmãos mais novos" dos elfos. Sua mortalidade é considerada um presente do Criador, e não um castigo.


ANÕES

Criados por Aulë, o ferreiro dos Valar, eles foram "adotados" pelo Criador. Fascinados por pedras preciosas, são atarracados e barbudos (mesmo as mulheres).



ENTS

Os "Pastores das Árvores" são gigantes que guardam as florestas da Terra-média. Extremamente lentos e longevos, estão entre os seres mais antigos do mundo.



ÁGUIAS

Criaturas a serviço do rei dos Valar, Manwë, elas são inteligentes e acompanham do alto o que acontece na Terra-média. Em momentos cruciais, ajudam os bons.



MELKOR / MORGOTH

Originalmente o mais poderoso dos Valar, rebelou-se contra o Criador, consumido pelo desejo de dominar a Terra. Seu apelido, "Morgoth", quer dizer "o Inimigo Escuro".



SAURON

É o vilão de O Senhor dos Anéis. Originalmente um servo de Morgoth, acabou assumindo o papel de seu antigo mestre depois que ele foi derrotado.



DRAGÕES

São resultados de "experimentos" de Morgoth, que colocou espíritos sombrios em corpos de répteis, para servi-lo.



BALROGS

São servos de Morgoth que assumiram formas demoníacas, tornando-se um dos monstros mais temíveis do séquito do Senhor do Escuro.



TROLLS

Foram criados a partir de rochas por Morgoth. Os primeiros trolls eram lentos, estúpidos, mas extremamente ferozes e destrutivos.



ORCS

Essas criaturas horrendas, usadas como soldados de Morgoth e Sauron, surgiram a partir de elfos torturados e desfigurados nos primórdios da Terra-média.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Como fazer resenhas

Olá raros leitores,

Eu particularmente evito de fazer resenhas, mesmo tendo estudado bastante sobre o assunto. Meu impedimento é a falta de tempo, portanto, entre fazer uma coisa "meia boca" e não fazer, opto pela segunda opção. Mas segue abaixo um bom manual para quem se dispuser a aprender:

Explicação do Prof. Dr. Pedro Cezar Dutra Fonseca, no Site do Escritor, a eles todos os direitos.

Resenha é um trabalho de síntese que revistas e jornais científicas publicam geralmente logo após a edição de uma obra, com o objetivo de divulgá-la. Não se trata de um simples resumo.
 
O resumo deve se limitar ao conteúdo do trabalho, sem qualquer julgamento de valor. Já a resenha vai além, resume a obra e faz uma avaliação sobre ela, apresentando suas linhas básicas, deve avaliá-la, mostrando seus pontos fortes e fracos.
 
A resenha pode ser de um ou mais capítulos, duma coleção ou mesmo dum filme. Apresenta falhas, lacunas e virtudes, explora o contexto histórico em que a obra fora elaborada e faz comparações com outros autores.
 
Conhecida como resumo crítico, a resenha só pode ser elaborada por alguém com conhecimentos na área, pois sua elaboração exige opinião formada, pois além de resumir, o resenhista avalia a obra, sustentando suas considerações, deve embasá-las seja com evidências extraídas da própria obra ou de outras de que se valeu para elaborar a resenha.
 
"Se o resumo do conteúdo da obra não está bem feito, o leitor que não a conhece encontrará dificuldades em acompanhar a análise crítica. Se, por outro lado, o recensor se limita a relatar o conteúdo, sem julgá-lo criticamente, ele estará escrevendo um resumo e não uma recensão crítica. Finalmente, se ele não sustenta ou ilustra seus julgamentos com dados extraídos da obra recenseada, ele não dá ao leitor a oportunidade de formar seus próprios julgamentos".
 
De uma boa resenha devem constar:

  • A referência bibliográfica da obra, preferencialmente seguindo a ABNT;
     
  • Alguns dados biográficos relevantes do autor (titulação, vínculo acadêmico e outras obras, por exemplo);
     
  • O resumo da obra, ou síntese do conteúdo, destacando a área do conhecimento, o tema, as idéias principais e, opcionalmente, as partes ou capítulos em que se divide o trabalho. Deve-se deter no essencial, mostrando qual é o objetivo do autor, evitando recorrer a detalhes e exemplos, com máxima concisão. Este momento é mais informativo que crítico, embora a crítica já possa estar presente;
     
  • As categorias ou termos teóricos principais de que o autor se utiliza, precisando seu sentido, o que ajuda evidenciar seu approach teórico, situando-o no debate acadêmico e permitindo sua comparação com outros autores. Aqui não só se deve expor claramente como o autor conceitua ou define determinado termo teórico, mas já se deve introduzir críticas, seja à utilização ou à própria conceituação feita pelo autor [em uma resenha para revistas especializadas, esta parte pode ser dispensada, até por economia de espaço, mas é essencial em trabalhos de aula, em que o recensor é também aprendiz];
     
  • A avaliação crítica, nos termos já referidos anteriormente no item 1. Este é o ponto alto da resenha, onde o recensor mostra seu conhecimento, dialoga com o autor e/ou com leitor, dá-se ao direito de proceder a um julgamento. Há vários tipos de críticas, mas destacam-se: (a) a interna, quando se avalia o conteúdo da obra em si, a coerência diante de seus objetivos, se não apresenta falhas lógicas ou de conteúdo; e (b) a externa, quando se contextualiza o autor e a obra, inserindo-os em um quadro referencial mais amplo, seja histórico ou intelectual, mostrando sua contribuição diante de outros autores e sua originalidade.
     
  • Atualmente quase todas as revistas científicas trazem boas seções de resenhas. Sempre é aconselhável ir a uma biblioteca e consultar alguns destes periódicos para observar atentamente como os mais destacados profissionais e pesquisadores da área as elaboram.
     
  • Finalmente, deve-se lembrar que o recensor deve preocupar-se com a obra em sua totalidade, sem perder-se em detalhes e em passagens isoladas que podem distorcer idéias. Deve-se certamente apresentar e comentar pontos específicos, fortes ou fracos do trabalho, mas estes devem ser relevantes. Nada mais deplorável do que uma crítica vazia de conteúdo, sem base teórica ou empírica, que lembre preconceito. Ou elogios gratuitos, que podem parecer corporativismo ou "puxa-saquismo".
     


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Na Câmara de Gás

Li certa vez que o pecado traz graves consequências à alma, e os crimes dolorosas penas corporais. Não sei que falta terrível cometi, muito menos que erro cruel levou-me à pena tão desumana. Alego inocência e declaro que meu único delito foi ter nascido; algo fora de minhas escolhas.

O que posso fazer nesse momento? Estou cercado, portanto, não conseguiria fugir. Gritar? Seria apenas classificado como um surto de loucura. Resta-me apenas a espera e a agonia.

A última porta foi fechada e meu martírio começou. Os vidros deixavam a respiração quase impossível. Fiquei ofegante, os batimentos aumentaram. O medo dominou-me. Os gases foram liberados. Pânico! Asfixia! Xinguei. Fechei os olhos enquanto o oxigênio desaparecia lentamente. Minhas pernas tremularam, suei gelado. E, quando finalmente achei que a morte viria abraçar-me, alguém venceu o medo da chuva e abriu algumas das janelas do lotado ônibus. Respirei aliviado.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Game of Thrones S03E06 - Comentários

E chegamos ao 6º episódio da terceira temporada de GOFT, segue minha humilde opinião:

Dois foram o ponto alto desse episódio:



O primeiro: O diálogo entre Tywin Lannister e Olenna Tyrell, uma verdadeira batalha de peixes grandes, com triunfo de Lorde Lannister.

Foi uma conversa dos que considero os melhores atores dessa temporada, uma interpretação digna de prêmios. Olenna sem sombra de dúvidas é a revelação da terceira temporada.

ATENÇÃO SPOILER’S, CONTINUAR É POR SUA CONTA E RISCO

Como disse no diálogo há uma vitória de Tywin Lannister que ameaça nomear sor Loras à Guarda Real. Olenna joga a toalha, mas como sabemos, no livro Loras torna-se membro da Guarda Real, ou seja, o diálogo indica que isso não ocorrerá na série. É claro que os leitores xiitas berrarão, mas acredito que é uma mudança sem muita influência, já que Loras não desemprenhará papel importante dentro da Guarda Real. Dessa forma, ele seguirá o curso normal da história partindo para a conquista de Ponta Tempestade.

O segundo ponto alto do episódio foi a sempre épica conversa entre Mindinho e Varys. Confesso que ao final do episódio voltei ao diáologo para assistir com mais atenção.



Um ponto-chave, no diálogo eles iliminam a prostitura Rose que nunca existiu na obra escrita, é uma vitória para os que apegam-se na letra, mas uma tristesa para nós, admiradores de sua exuberante beleza.
Outra questão que deixou-me arrepiado, Mindinho diz para Varys:

"O caos não é um abismo, o caos é uma escada. Muitos que tentam subir por ela falham, e nunca conseguem tentar novamente. A queda os quebra. Alguns recebem a chance de subir. Eles se agarram ao reino, aos deuses, ao amor. Mas apenas a escada é real. A escalada é tudo que existe.”

SPOILERS DO TERCEIRO LIVRO, QUARTO, QUINTO SEI LÁ, JÁ LI TANTO QUE NEM SEI QUAL É QUAL MAIS

A frase dele reforça a teoria de que Mindinho está por trás de toda a guerra que "hoje" assola Westeros. Particularmente acredito nisso, desde sua traição a Ned Stark, a sua contribuição no assassinato de Jofrey, a morte de Lisa Arryn e sua tomada do Vale, tornando-se um dos mais poderosos dos Sete Reinos.

Outra parte essêncial, Mindinho deixou o Porto Real completamente refém do Banco de Ferro bravosiano, e como Tyrion Lannister o Banco de Ferro sempre recebe, e como sabemos o Banco sempre vai em busca dos inimigos de seus devedores, no caso do quinto livro, Stannis Baratheon.

Por outro lado temos o eunuco Varys e sua fidelidade a Casa Targgaryen (sim acredito que ele seja fiel a eles).

O que posso especular é que esses estarão sorrindo na última página da série As Crônicas de Gelo e Fogo.



A mudança mais radical que esse episódio apresentou foi o encontro de Melisandre com Toros de Myr.. Isso não existe na obra escrita e foi impactante e até revoltante. No entanto, vejo que fizeram isso para economizar outro personagem. Ao que parece, Gendry desempenhará o papel de Edric Storm, o orgulhoso filho bastardo do Rei Robert Baratheon com Delena Florent.

SPOILER DO QUINTO LIVRO

Me deu medo,

Quando Jon Snow é morto no final da Dança dos Dragões já pensei comigo "ele é Azor Hai renascido, pois Melissandre o ressucitará com o beijo do Senhor do Fogo, mas nessa mudança e no encontro com Thoros de Myr, que sabemos foi aturizado por George R. R Martin, ela se impressiona com o fato de Beric Dondarrion ter sido ressucitado seis vezes e de Thoro possuir esse poder, como se ela não o tivesse. Se ela não tiver o que será de Jon?




Os outros núcleos achei fraco, apesar da bela cena de Jon e os selvagens na Muralha.
P.S: Aquele beijo dele com Ygritte no final foi muito novela!

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Estréia - Somos tão jovens

Como um orgulhoso candango não poderia de postar sobre essa estréia. Cresci ao som de Legião Urbana, imaginando-os em todos os lugares de Brasília, portanto, amanhã estarei em frente à telona.


Sinopse: 'Somos tão Jovens' conta a emocionante e desafiadora história da transformação de Renato Manfredini Jr. no mito Renato Russo, revelando como um rapaz de Brasília, no final da ditadura, criou canções como ‘Que País é Este’, ‘Música Urbana’, ‘Geração Coca-Cola’, ‘Eduardo e Mônica’ e ‘Faroeste Caboclo’, verdadeiros hinos da juventude urbana dos anos 80 que continuam a ser cultuadas geração após geração por uma crescente legião de jovens fãs.

Curiosidades: » Somos tão Jovens é dirigido e produzido por Antonio Carlos da Fontoura (Gatão de Meia Idade) e o roteiro é assinado por Marcos Bernstein (Chico Xavier, Central do Brasil e Zuzu Angel). » Como em todas as cenas musicais do filme, a captação de som do show é original. O público poderá ver Thiago e os atores cantando e tocando no palco num registro ao vivo, que reproduz o clima dos shows da época.


» A direção musical é de Carlos Trilha, que participou da banda de apoio da Legião e arranjou e produziu dois CDs solo de Renato Russo, “The Stonewall Celebration Concert” e “Equilíbrio Distante”. Foram muitos meses de preparação para que Thiago cantasse e tocasse as músicas do longa em performances ao vivo.


» Além de aulas de canto e violão, o ator teve a oportunidade de conhecer o cantor através dos olhos de pessoas muito próximas a ele, como o próprio Trilha. Dirigido por Antonio Carlos da Fontoura, Thiago Mendonça encarna o líder dos legionários em desempenho que impressiona pela semelhança. (Fonte: Cinepop)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Filhos de um novo mundo


Estávamos sentados em círculo nas ruínas de alguma coisa que não é mais identificável. Resolvi fazer eco há alguns pensamentos:

— Vocês acreditam nas histórias que nosso bisavô contava?

— Qual delas? As sobre poderes sobrenaturais? Por que não acreditar? — Disse Azoi, nosso irmão mais novo.

— Não, aquelas sobre à Terra.

— Quer dizer as histórias de que as árvores eram verdes, podia-se beber água dos rios, o sol era pequeno e que as pessoas tinham tanta comida que jogavam fora?

— Isso — respondi. Todos começaram a rir. Anira, nossa única irmã falou:

— Você não está grandinho para acreditar nesses contos de fadas, Leriel?

— Não acho que sejam contos de fadas. Lembram-se das imagens no velho livro que ele nos mostrava?

— Eu lembro — confirmou Berti, nosso primo — se não me engano o bisavô sempre contava que o começo do fim foi quando a Colméia da Sorte atacou os Países Unidos da Amélia.

— Não era isso seu idiota — interrompeu Sueney, nosso irmão do meio — era Coréia da Morte e Estados Unidos da Coréia.

— Vocês homens são sempre burros. Era Coréia do Norte e Estados Unidos da América. O bisa falava que por causa desse ataque o mundo entrou em guerra e os desgraçados dos marguilanos aproveitaram e desceram das estrelas.

— Correto, irmã — falei —, e depois disso tudo foi destruído.

— Não sei se é verdade — com a boca cheia Aloni, o mais velho de nós, falou pela primeira vez — nem sequer consigo imaginar um lugar assim. É desse mundo cruel que somos filhos e não de uma terra fantasiosa. Conheço unicamente o agora e ele é horrível. E, se não matarmos esses malditos hoje mesmo, tudo ficará ainda pior. — Depois dessas palavras o silêncio passou a reinar.

A espera nos fez cochilar, Aloni acordou-nos sussurrando:

— Eles chegaram!

Subimos uma escada, aliás o que sobrou dela pois tinha apenas a metade, e escalamos até a parte de cima. No horizonte, três figuras vinham caminhando. Eram altas, com a pele esbranquecida, os pés eram semelhantes às mãos, quatro dedos alongados que apertavam a areia ao caminhar. Como tinham a pele bastante resistente não usavam roupas, conversavam tranquilamente em sua estranha língua.

— São esses que você viu vindo pela estrada, Anira? — Perguntei.

— Sim, irmão. Vejam vocês mesmos, eu disse que tinha um gordo entre eles e não acreditaram. — Azoi riu daquilo:

— É a primeira vez que vejo um marguilano gordo, é engraçado.

— Eles estão armados — observou Berti.

— Chega de conversa, vamos. Façam tudo como planejamos. — Bradou Aloni já pulando do primeiro andar sobre uma grande duna de areia. Todos o acompanharam. Eu fiquei, pois era o único que não sabia lutar, minhas habilidades eram outras.

Lá de cima observei toda a ação. Foi rápido. Portando uma faca Sueney pulou sobre o primeiro, os dois começaram a rolar pelo chão e o marguilano levou a pior ficando com a lâmina cravada no pescoço. O segundo tentou puxar a arma mais foi transpassado por uma lança de Berti. Azoi corajoso como sempre avançou contra o grandalhão, mas ele ainda era apenas um garoto e foi dominado. Sueney intercedeu e os dois brigaram por algum tempo, foi quando o homem sacou sua arma e apontou, tremi de medo pensando que assistiria a morte dele, mas Anira que tinha uma pontaria invejável acertou um tiro de laser direto na testa do gordo.

Após o combate embalamos bem os corpos e arrastamos durante todo o dia seguinte até chegarmos ao nosso lar, cavado no centro da montanha depois que naves marguilanas desintegraram nossos pais, o local era de difícil acesso e suamos bastante. Sueney jogou-os na sala e falou:

— Agora é contigo, Leriel.

Puxei os três mortos até minha sala. Bradei:

— Anira e Azoi venham me ajudar. — Depois de muito reclamarem eles vieram. Com facas bem amoladas retiramos a pele dos extraterrenos.

— Darão ótimas capas — falou Azoi.

— Vou fazer uma linda. — Completou Anira.

— Ei, cuidado com o gordão Azoi, retire a gordura e coloque nas gavetas, e o restante corte em bifes.
— Sanira pegue esses dedos e faça um caldo, onde está o sangue deles?

— No tambor branco. — Ela respondeu.

Depois de limparmos e desossarmos, cortamos toda a carne. À noite nos sentamos em volta da fogueira. Berti, lambendo os dedos disse:

— Ninguém faz um guisado de marguilano igual a você, Leriel.

— Obrigado, primo. O bom é que de quebra ainda nos livramos de três invasores — ele respondeu com um sorriso. Sueney olhou-me e falou:

— O povo das suas fantasias podia ter muita comida, mas duvido que tenham comido uma carne tão maravilhosa. — Encheu uma caneca com sangue, pois como os marguilanos possuíam toda a água do planeta, isso era o que restava-nos, e exclamou:

— Proponho um brinde a essa maravilhosa caça.

E assim bebemos, comemos e garantimos mais algumas semanas de sobrevivência. E vendo aquele banquete ficou mais difícil de acreditar nas velhas lendas do nosso bisavô, afinal que raça seria idiota o bastante para destruir algo tão belo quanto aquelas fotos e condenar seu povo a uma existência tão sofrida?