Sobre meus contos

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Devaneios #4: Um dia vai.



Passeava pela timeline do meu facebook  quando um colega viu algumas fotos das meninas que tenho no meu perfil e perguntou:

“E ai qual que você tá pegando? Qual que tá comendo?”.

Respirei fundo, afinal ele não tem nem 18 anos, portanto, é compreensível. 

Também já fui assim.

Não quero pegar ninguém, pensei. Quero conquistar, quero aquele nervosismo do primeiro encontro, aquele beijo com sabor de adolescência, aquele amasso no carro estilo anos 80, aquela pegada sem pudor estilo século XXI, aquelas mensagens clichês no celular e, que essa conquista seja diária. Enquanto tudo durar. E que duro eternamente.

Não quero comer ninguém. Prefiro comer um bife à parmigiana. Quero uma cabeça recostada no meu ombro, ainda ofegante, nós suados, conversando sobre tudo, desde o sexo do momento aos grandes segredos do universo. "Você é linda. Sabia que esse brilho daquela estrela que estamos vendo foi emitido antes do portugueses chegarem ao Brasil?. Quero mais!".

Seu eu encontrasse com meu Eu do passado, o Jefferson Nóbrega de 17 anos e falasse isso para ele, com certeza escutaria “Você chegará solteirão aos 30 anos”.


E não é que é verdade? Que assim seja. Um dia ainda dá certo.


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*Na categoria "Devaneios" são postados textos que surgem na minha cabeça do nada e desaparecem com a mesma rapidez, ficando uma verdadeira loucura de palavras muitas vezes com final desconexo. Ou seja, loucura total. rsrs. Também é onde posto minhas crônicas. Comenta e diga o que achou. 



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A Praga Cinza [miniconto]


Uma doença ameaçava o país. Cesar Neto, médico e capitão do Exército, era o infectologista responsável pela investigação. Surgida na China, a Praga Cinza atingiu várias partes do mundo oriental e, apesar do rígido controle e da distância, chegou ao Brasil.
Vindo de uma família humilde, Cesar jamais teria se imaginado frente a um trabalho tão importante. O prazo findava e ele nada tinha. Porém, uma ideia maluca o atormentava e o parecer do laboratório em suas mãos poderia ser a resposta.
Os primeiros relatos de contaminação foram em 12 de outubro de 2015. Seguidamente vieram outros em datas aparentemente irrelevantes, até o surto violento em 25 de dezembro. Curioso, pesquisou a relação entre cada paciente e seu dia de contágio. O resultado foi que todos foram infectados em datas especiais: aniversários, casamentos e etc.
Após uma lida detalhada no relatório, a expressão dele era de horror. Abriu a porta bruscamente e olhou para o aniversário que acontecia na sala de sua casa.
Os presentes espantaram-se quando ele saiu empurrando todos e arrancou com força o presente da filha. Mas era tarde. A face dela já apresentava manchas cinza e o sorriso desaparecia. Ao ver o embrulho em sua mão percebeu que estavam condenados. A menina caiu sem forças e Cesar, já enfraquecido, segurou-a em seus braços. Com o celular em mãos:
— 192, qual a emergência?
— Ao estourar o plástico bolha respiramos o ar da China.
E apagou.
Todos os direitos reservados a Jefferson Nóbrega

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Devaneios #3 - Tem uma cobra na minha bota!


Um dos grandes inimigos da felicidade, sem sombra de dúvidas, é a rotina. Ela simplesmente apaga a vida, transforma momentos mágicos em algo normal. Sim, seu dia a dia tem momentos mágicos, se não percebe nenhum então Ela também te abraçou e fez de ti seu escravo.
A vida tem várias maneiras de nos arrancar da rotina. Umas simples, outras pouco perceptíveis e algumas bruscas. O problema maior é quando as bruscas tornam-se imperceptíveis. Hoje tive um desses momentos.
Levantei com o despertador. Rotina.
Na pressa comi pão com café requentado. Rotina.
Corri para a parada aos 45 do segundo tempo. Rotina.
Três ônibus me servem. O primeiro passou lotado e não peguei. Rotina. 
O segundo não tão cheio, também deixei passar. Rotina.
No terceiro com acentos vagos próximos da janela eu entrei. Rotina.
Sentei no banco após a porta do meio, coloquei meus fones e liguei a música. Rotina.
Bom Dia do grupo 3030. Rotina
Com os óculos escuros tiraria meu cochilo do caminho. Ops, a conjugação do verbo já mudou, um “tiraria” apareceu. Lá se foi a rotina? Ainda não, estava bastante entorpecido por seu perfume.
Encostado observando a vida passar pela janela senti algo caindo no meu pé, olhei e vi que era colorido, de relance achei que era uma pulseira, dei um leve chute e percebi que se mexia, deduzi assim que era uma lagarta. Empurrei mais uma vez e, para minha surpresa era uma cobra. Sim, tinha uma cobra dentro do ônibus!
Durante algum tempo eu fiquei apenas olhando aquele animal, pensando como foi parar ali. Até o bordão do Woody saltou à ponta da língua: “Tem uma cobra na minha bota!”.
Pequena com uma coloração que lembra a cobra-coral ou a falsa coral, se enroscava em um parafuso tranquilamente. Como não sou um herpetólogo para saber se era venenosa ou não, achei melhor me afastar. Comentei comigo mesmo: “Uma cobra”.
Foi o suficiente para escutar um grito feminino do lado: “Cobra? Motorista para o ônibus tem uma cobra!”.
Então mulheres subiram nos bancos, gritavam e com olhos desesperados buscavam o “terrível” bicho.
Com um guarda-chuva peguei o animal e coloquei na rua, ainda com pausa para as fotos dos celulares curiosos que nunca param.
Após esse episódio, impressionantemente todos sentaram, encostaram, colocaram seus fones ou fixaram-se nos celulares e voltaram aos seus afazeres rotineiros.
Imediatamente também peguei meu smatphone e comecei a escrever esse texto, chocado com o fato de que nem uma situação tão insólita como essa é capaz de arrancar as pessoas da rotina.

Talvez seja necessário aparecer uma anaconda.
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domingo, 23 de agosto de 2015

O espelho e o bardo guerreiro



Aço, sangue e terra. Com essas três palavras os últimos meses poderiam ser resumidos. Após mais uma vitória, conquistada às custas de muitas vidas, a guerra findava e o humor dos guerreiros estava ótimo. O bardo elevou a voz:
 
— Pelo quê lutamos? 
— Pelo rei — alguém gritou. 
— Pelo reino — outra voz soou. 
— Pela glória — uma voz sobressaiu-se.
Por vingança e espólios — alguém foi sincero. O bardo bradou:
E tudo isso tivemos essa noite, irmãos. Então comemorem! Mas, não sem antes gritar um viva ao homem que tornou tudo isso possível: Lorde Aron!
 
Gritos ecoaram por toda a vila e Lorde Aron aceitou-os com modéstia. Sentado no meio do acampamento, ele estava com sua filha no colo e ao seu lado sua esposa e filho. Não parecia o homem que chegara à cidade com sangue até a cabeça, que a simples menção do nome fazia os inimigos tremerem. A visão era de uma família simples e feliz, aliás era isso que Aron sempre quis, porém as circunstâncias o levaram por outros caminhos.
 
Todos fizeram silêncio quando ele levou as mãos ao alaúde. Além de guerreiro, Aron era um músico nato, duas coisas opostas. Ficava difícil imaginar que as mãos que portavam espadas e escudos como ninguém, tivessem sensibilidade para um instrumento tão belo. Ainda mais que, suas músicas jamais cantavam o gozo cavalheiresco da batalha; não, sua vida já tinha muito disso para nele debruçar seu dom. A primeira nota soou, a melodia preencheu sua mente e olhando para sua esposa que amava mais que tudo, compôs a canção:
 
És tão linda que as estrelas ao te verem passar
Caem de inveja não conseguem suportar,
És tão linda que as flores ao te verem chegar,
Afiam os espinhos não conseguem te olhar,
Teus olhos são tão lindos que a escuridão,
Entrega-se a luz para não afligir-te o coração,
 
És tão bela que,
O Sol no deserto faz sombra para que passes sem perigo
A água brota da areia para não ressecar seus lábios lindos.
 
És realmente graciosa,
Que até a palavras lindas que eu iria usar
Esconderam-se em meio às horrorosas,
Para não te elogiar.
 
Lágrimas escorreram no rosto da esposa homenageada, por todo o local, casais deram as mãos e trocaram olhares apaixonados. O silêncio durou alguns minutos até ser rompido por aplausos. A festa recomeçou. 

Lorde Aron chamou a esposa e iria para o quarto quando notou seu filho com o olhar perdido. Viu que ele observava em transe uma garota que dançava, sempre que ela girava os dois se encaravam e sorriam. A menina era magra e ágil, diferente das outras não trançava os cabelos, isso dava-lhe uma beleza selvagem. Lorde Aron foi à pilha de espólios pegou algo e sentou ao lado dele, a esposa deixou-os sabendo que era uma conversa de pai e filho.
 
— Joseph  chamou tirando o garoto de seu mundo de fantasias. Observou o rosto do filho assustado, notou que um esboço de bigode surgia, ele estava se tornando um homem. Isso de certa forma irritou Aron, pois perdera esses detalhes por causa das guerras, prometeu a si mesmo que com sua pequena Isabelle seria diferente.
 
— Sim, pai.
— O que é isso? — Entregou o objeto para o garoto que pegou e analisou rapidamente. Respondeu:
— Um espelho.
— Não, meu filho. Isso é um coração.
— Não entendo pai. Coração?
— Sim. Assim como um espelho o coração vive de reflexos. Dê amor e verá amor refletido. Dê-lhe ódio, tristeza, deslealdade e isso também receberá. Compreende?
— Sim. — Joseph pensou um pouco e inquiriu:
— Mas, por que tem vezes que damos amor e não o recebemos?

Lorde Aron pegou o espelho da mão do filho e o jogou no chão partindo em vários pedaços.

— Junte o máximo de pedaços Joseph — ordenou. Como se montasse um que quebra-cabeças ele uniu os cacos no chão.
— Agora olhe para o espelho quebrado e diga o que vê?
— Meu reflexo.
— Está igual antes?
— Não.
Da mesma forma acontece com o coração. Quando ele é dilacerado, os pedaços são reunidos com o tempo, mas o reflexo nunca mais será o mesmo.
 Entendi, pai.
— Ótimo. Você é responsável pelos sentimentos que desperta. Qualquer tolo pode ter um bigode ridículo desses – os dois riram –, mas, só um homem de verdade compreende isso. Não brinque com o coração das mulheres, ser sincero com elas é ser verdadeiro com seus próprios sentimentos. — Joseph, assentiu pensativo. Agora levante-se e vá chamá-la para dançar antes que outro o faça.
 
E orgulhoso Aron observou Joseph beijando a mão da garota e logo em seguida abraçando-a. Enquanto ia para o leito de sua esposa deu um tapa no ombro do bardo e disse:
 
— É por isso que eu luto, meu amigo.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Devaneios #2 - Elas sabem!


As mulheres sabem! Essa foi a primeira frase que me veio em pensamento ao abrir o papel para escrever aleatoriamente.

Mas o que realmente elas/vocês sabem? Talvez seja ousadia somada à tolice responder algo desse tipo quando, a mente feminina continua sendo uma esfinge indecifrável. Porém, vou tentar. Mesmo correndo o risco do ridículo me atreverei aclarar “o que as mulheres sabem”.

As mulheres sabem de muita coisa, não é apenas algo complicado o que me propus, é amplo. Tenho que ser sucinto.

Elas sabem nos fazer felizes, mas também sabem nos destruir. Espera, comecei muito clichê. Por que falar do óbvio?

Vamos lá coração suplante o cérebro nessas reflexões.

Sabe meu amigo quando nos fingimos de fortões, garanhões reprodutores sem sentimentos, inabaláveis com o que elas acham ou deixam de achar? Elas sabem! Não adianta seu olhar de desprezo ou sua saída de perto – aliás isso piora tudo –, elas possuem um poder de detectar que você se importa, que há sentimentos te corroendo por dentro e obrigando-o a fugir. Sua expressão de bad boy para elas é o rosto de um pantomineiro.

Elas sabem quando nós queremos algo a mais. Sua pose de bom amigo é em vão – sei era só para responder, mas não custa nada ajudar esses cabeças de bagre –, ela vai adorar seus agrados claro, mas o fato de elas saberem não a jogará direto nos seus braços.

Nós podemos até ter sucesso em algumas mentirinhas de vez em quando, porém se ela te conhecer essas chances são reduzidas drasticamente. Elas sabem. É algo no olhar, no tom de voz, no suor na sua testa e etc.

Elas sabem de muita coisa. Sabem quando estamos tentando impressionar, sabem quando não estamos sendo nós mesmos, quando tentamos fazer ciúmes, quando estamos apaixonados, quando estamos passando por alguma coisa, quando estamos fedendo – isso qualquer um percebe hehe –, quando queremos só sexo, quando a desejamos para o resto da vida e etc.

É redundante, no entanto, repito: Elas sabem de muita coisa. É provocante, mas acrescento: Elas também não sabem de muita coisa.

Calma sem brigas. É confuso mesmo. 

Isso por que homens e mulheres possuem suas diferenças, e são elas que as tornam tão maravilhosas. Mas, também possuem sua igualdade chamada: coração. E quando um homem sabe escutá-lo ele também tem essa perceptividade que tanto abordei.

No fim foram muitas palavras para chegar novamente no óbvio: Elas sabem e nós sabemos.

Como assim? Se propôs ser o homem das respostas e jogou a tolha? Não. Esse texto é só mais uma parte dos meus devaneios. Quem disse que acabou? Em outra noite de insônia posso continuar. Mas, por hora vou dormir.

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terça-feira, 21 de julho de 2015

Devaneios #1 - Temos todo o tempo do mundo?



— Não estamos bem, preciso que me dê um tempo – ela disse. Ele olhou-a profundamente e suspirou de forma cansada.

— Como posso dar algo que não tenho? Meu tempo não é mensurável, não é palpável e não me pertence. Como te dar um tempo se no próximo segundo posso retornar ao pó? Como posso de conceder esse pedido? Imagina se amanhã é meu último dia? Estarei condenando-me a partir desse mundo com incertezas, com a mente recheada de “e se”. O tempo é precioso, alguns falam que é dinheiro, eu digo que é vida. O tempo que você deseja pode ser minha privação de amar outras coisas ou outro alguém.  O que me pede é apenas uma sombra do passado e o vislumbre de um futuro que sequer existe.  Acatar o seu desejo seria oferecer a nós dois ilusões e, disso nossas vidas já estão cheias. Ofereço-lhe o Fim. Esse sim é certo, é mensurável, é visível. Aliás, ditados, religiões e filosofias costumam afirmar que também é o recomeço.

Ela piscou algumas vezes antes de responder:

— Era só falar: não.


— Era só ter dito: fim.

Esse é o primeiro texto da categoria "Devaneios". Nela serão postados textos que surgem na minha cabeça do nada e desaparecem com a mesma rapidez, ficando uma verdadeira loucura de palavras muitas vezes com final desconexo. Ou seja, loucura total. rsrs Comenta e diga o que achou. 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Plumitivo




Era onírico e real,
Educado e pueril,
Covarde e heroico,
Delicado e viril
Uma alma no etéreo,
Um ponto no vácuo,
Um pé no eterno,
Uma corda no buraco.
Eram amores nascentes,
Paixões no fim,
Eu crescente,
O renascer em mim,
Força da dor,
Dor de ser forte,
Brilho do amor,
Fomento da morte,
Era sestro de aquilatador,
Era méleo e fel,
Era pena de ardor,
Versejando o papel.