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domingo, 21 de dezembro de 2014

O som da liberdade

O Som da Liberdade

por Jefferson Nóbrega


Em uma rua silenciosa de uma cidade silente. Em um país mudo de um planeta taciturno; um homem chamava a atenção.

Quando ele passava as pessoas erguiam a cabeça e baixavam novamente. Pode não parecer nada espetacular, mas era; pois existiam pessoas que nasciam e morriam sem sequer olhar nos olhos de alguém.

Ele se destacava na paisagem de prédios cinza e árvores secas, suas vestes brancas com tons azuis eram novidades onde o marrom mórbido dava o tom das roupas. Seus sorrisos e movimentos leves assustavam comparados à marcha mecânica que caracterizava todos. A barba e os cabelos grandes mostravam-se como uma grande novidade diante dos rostos perfeitos e iguais.

— Bom dia. — Parecia não se importar com a falta de resposta. Também não demonstrava espanto com a rua engarrafada sem sequer uma buzina apitar.

— Bom dia — repetiu para o jovem sentando em uma cadeira na calçada de uma lanchonete, segurava um cardápio por costume, pois não importando o estabelecimento os pedidos eram padronizados.

— Bom dia, eu sou o Barbudo. — apresentou-se com ainda mais empolgação. O jovem ergueu os olhos e baixou novamente. Não diferente das pessoas que viravam os pescoços e depois olhavam para frente seguindo com suas passadas meticulosas. De cabeça baixa o rapaz parecia fazer um esforço tremendo e, como uma criança que aprende a falar respondeu:

— Bom dia — em um tom de voz lento e fraco. — Sou Ed3406, completou.

— Sei que você sabe falar, mas não tem costume. Assim como todos sabem viver, mas não conseguem. — Mais uma vez os olhos do garoto se levantaram e arregalaram. Não para o misterioso homem barbudo, mas para a patrulha que parou na calçada. O jovem de prontidão ficou de pé em posição de sentido e emudeceu.

Três soldados desceram em uma marcha portando armas, “Guardiões da Ordem”, eram chamados. Tinham a missão de caçar os pecadores, ou seja, todos que desafiavam a ordem vigente.

— Bom dia senhores. — Eles também não respondiam. Chegaram acertando coronhadas e mesmo com o homem no chão não pararam. O Barbudo levantou-se e jogou-se sobre o rapaz que, permanecia como uma estátua e caiu como uma. Aproveitando a oportunidade, antes de ser arrastado pelos soldados, Barbudo colocou algo dentro do terno cinzento do garoto. “Você tem o dom, use-o”, sussurrou em seu ouvido.

Ed permaneceu parado, ereto, sem expressão e, não elevou o olhar nem quando os soldados fuzilaram o Barbudo com suas armas silenciadas, jogaram-no no porta-malas e saíram, nem de uma cantada de pneus o homem foi merecedor. A viatura não emitiu qualquer som.

Assim o garoto foi caminhando em direção de sua casa, passos firmes, todos dado na mesma distância, vistas presas no solo. O mundo era soturno, entretanto, algo tinha mudado. Um barulho tremendo agora ecoava em sua mente.

Entrou em seu condomínio. Todos os edifícios tinham trinta e um andares, ele apertou o número cinco, andar padrão de todos com  nomes iniciados com a letra “E”. Entrou em seu apartamento. Quando tirou o paletó algo caiu. Ficou paralisado, pois nunca tinha acontecido isso. Só aquele fato abalava toda a ordem da sua vida. O barulho na sua cabeça foi aumentando de tal forma que ele caiu ajoelhado, apertando as têmporas, por fim não aguentou e gritou.

Foi arrebatado por sensações novas, primeiro sentiu um alívio e pegou-se gargalhando. Depois foi tomado pelo pânico, sabia que seu grito chegaria longe naquele mundo melancólico. Logo os Guardiões estariam na sua porta. Correu. E isso também foi estranho, suas pernas jamais realizaram movimentos tão intensos, sentiu-se a pessoa mais rápida do mundo.

Quando passou a toda velocidade as pessoas apenas levantaram as cabeças e baixaram em seus gestos automáticos. Por fim, cansado sentou-se no banco da praça. Só então notou que ainda segurava o misterioso objeto.  Era em formato cilíndrico, fino, tendo buracos em sua extensão. Mexeu por muito tempo naquilo sem encontrar qualquer utilidade até que, sem saber o motivo levou-o à boca e soprou forte. O apito agudo atraiu a atenção da multidão que passava. O som foi tão diferente que pela primeira vez eles olharam e fixaram-se dessa forma.

Ed novamente entrou em desespero e fechou os olhos buscando o silêncio em que tanto tempo vivera. Quando percebeu, soprava o objeto novamente, mas dessa vez de forma serena. Entendeu que o som mudava de acordo com os buracos que tampava com os dedos. Foi nesse momento que o barulho em seu íntimo ganhou forma e organizou-se. Ao finalmente criar coragem para olhar para si mesmo, contemplou que fazia sons ritmados combinantes entre si e muito bonitos. As pessoas aglomeram-se em volta dele e ao ver isso ele pô-se em pé sobre o banco.

Teve mais medo ainda quando que seus pés passaram a acompanhar o som e, ao ver sorrisos espalhando-se pela praça esqueceu-se de tudo deixando-se levar pela sonoridade.

Um silêncio súbito reinou quando gritos partiram do outro lado da rua:

— Pecadores!

Achou aquilo interessante, pois seus acusadores tinham rompido o mutismo de suas vidas para atacá-lo. Atrás delas vinha um batalhão de Guardiões. Vendo isso algumas pessoas assumiram a velha postura de estátuas.

— Vocês sorriram e experimentaram a alegria. Estão prontos para voltar à tristeza? — Ed Gritou.

O espanto não pode ser escondido quando um novo som surgiu. Alguns homens pegaram as latas de lixo e passaram a bater nas tampas de maneira ritmada, dessa forma Ed passou a soprar seu objeto de acordo com o o ritmo.

Os Guardiões tentaram avançar, mas era tarde demais. Uma buzina de carro ecoou. Alguém gritou de cima de um dos prédios. Os pássaros passaram a emitir lindos sons e soldados ficaram sem reação. No entanto, o líder da patrulha engatilhou e avançou sozinho, mirando na cabeça do garoto que pulava sobre o banco; atirou.

Atirou, mas não o acertou. No momento em que seu dedo apertou o gatilho um barulho vindo do céu o assustou. As nuvens emitiram um terrível estrondo. E ao escutar o próprio céu rebelando-se, admitiu que nada mais podia ser feito.

Foi até o garoto, fazendo uma tremenda força disse:

— Pecado.

— O pecado leva à morte, mas veja, essas pessoas encontram a vida. — Ed respondeu.

— Não entendo, o que é isso tudo?

— Música! Não sei sequer o significado da palavra, mas está dentro de mim.

Subindo no teto da viatura bradou:

— Isso é música meus amigos, isso é vida!

Estava feito, o mundo não foi mais o mesmo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Tudo por serem poetas

Penso em parar de escrever, especialmente poemas e poesias,

Notei que os poetas não são muito agraciados pela vida,

Especialmente os homens,

Perdem-se na boemia e nos sofrimentos dos amores,

Amam intensamente, mas no final é a solidão que abraçam,

Arquitetos de palavras no fim lágrimas os calam,

E não é dor física que temo,

É o fardo de conhecer o íntimo dos sentimentos, sem conseguir vivê-los da forma que escrevo,

A vida é traiçoeira com os trovadores e a arte acentua suas dores,

Suas aflições não são discretas,

Ao coração são submissos,

Tudo por serem poetas;

Ou são poetas por isso?

domingo, 14 de dezembro de 2014

A Carta


RemetenteJefferson Nóbrega
Destinatário: Futuro amor da minha vida

Brasília 29/08/2014



Futuro amor da minha vida, como você está? 

Escrevo por que não vejo a hora de te encontrar, de ver seu rosto; conhecer-te. Aliás, eu já posso até tê-la visto, mas sabe como é, a vida tem nuances que nos cega às vezes. Peço que perdoe-me.

Não sei como és, porém quero logo estar contigo. Não demore por favor, o tempo urge! Cada dia que passa são momentos que perdemos. Agora mesmo poderíamos está aqui no sofá, você com a cabeça em meu colo, perdendo-se em lágrimas por causa do filme enquanto faço pose de durão e derreto-me por dentro. 

Fico imaginando como você é, acho que também pensas o mesmo. Sabe, provavelmente já nos encontramos e até gostei de você, algo deve ter dado errado, mas vamos nos topar novamente. 

Você não deve ter notado que nascemos um para o outro por causa dos sofrimentos que já te causaram, isso gera medo e cega, entretanto, não é o fim. Esse escudo em volta do coração é normal, é uma proteção necessária, porém não passe a vida escondida atrás dele, pois isso não é viver.

Meu bem, temo que nessa demora eu acabe sendo iludido e levado por outra para no futuro descobrir que ela não era você. Por isso peço novamente, não demore mais.

Não vejo a hora de olhar em seus olhos, de sentir seu perfume, de arrumar uma mecha de cabelo, tocar seu queixo, acariciar seu rosto; dar mordidinhas na orelha. Agora mesmo eu poderia te fazer cócegas. Você tem, né? Adoro fazer isso. Para muitos é besteira, mas são essas coisas que torna tudo mágico.

Daremos aquele abraço em que o mundo simplesmente apaga-se. Irei beijar um lado da sua bochecha, depois o outro, seu queixo, tocar nossos narizes, até que os lábios se encontrem. Sei que você já sente como vai ser, nesse momento isso já te faz sentir muitas emoções. Como saberá que sou eu? Você irá saber. E se lendo isso algo está acontecendo aí dentro, palpitações mais rápidas, emoções resgatadas, perca de fôlego, veja isso como um sintoma e pense: Será eu? Sim, é você.

Venha para os meus braços, pois é tolice continuar procurando-me em outros, assim como não posso mais fingir que não preciso de ti, que sou feliz com outras, quando somente você importa.

Escutemos nossos corações. Eles podem parecer idiotas pelas escolhas erradas que fizeram, mas não os culpemos, no fim a única coisa que eles queriam era encontrar um ao outro.

Até breve.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Sobre escolher demais no amor...

Pensamentos corroeram minha mente por toda a madrugada. “Você escolhe demais”, escutei essa frase de três mulheres em um único dia. Ditas em tons acusatórios, como se eu tivesse cometido um crime de lesa-majestade. Não seria um direito meu “escolher demais”? “Ah, mas quem escolhe muito fica sem nada”, é a réplica genérica. “Ficar sem nada” é um risco. 

Todos que amam estão propensos à rejeição e solidão, a vida sem perigos não é vida. 

O problema desse tipo de inculpação é que jogam-me ao estereótipo “só quer peitos e bunda”. Geralmente redarguo: “Leste um dos meus contos, poesias ou poemas?”, se a resposta for não, finda-se tudo. Como ousam julgar os sentimentos de um escritor ignorando seus escritos? Mesmo que sejam ruins. É por sua pena que seu coração confessa-se e requesta-se com toda sinceridade. Se lessem saberiam que imputar-me o gosto por turbinadas é idiotice, afinal todas as minhas protagonistas são descritas como esguias, magrelas, selvagens e acima de tudo, naturais. Eu escolho demais, isso é fato. 

É pecado procurar por alguém especial? Alguém que leia Shakespeare pela manhã, Poe à noite e tenha pesadelos com Lovecraft? Que possa construir uma vida com a beleza de Tolkien e os defeitos de Nelson Rodrigues? Que simplesmente saiba abrir seu coração, seja com palavras, ações ou papel? 

Escolher não é errado, o engano está na utopia, é preciso encontrar esse limite. Ao contrário das acusações não tenho muitas ambições amorosas. Busco apenas uma companheira que, mesmo enraivada, compreenda caso eu levante em plena madrugada para ler mais uma página ou escrevê-la.