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O Reino dos Animais

Conto escrito e dedicado á Maria Clara. A minha leitora mais nova, literalmente. Ela me deu o título, o personagem principal e falou para escrever algo. Espero que tenha ficado legal. Abaixo a Maria Clara lendo meu blog e fazendo sua mãe, Jú, interpretar o conto. rsrs Por Jefferson Nóbrega — Lobinho, lobinho, se feiura doesse tua mãe vivia uivando. — Disse Quito no ouvido do lobo mais perigoso de todos e saiu voando. Laicão, o líder da cruel matilha que governava às Terras Escuras pulou alucinadamente tentando morder e devorar o pequeno pássaro, mas Quito era ágil e zombava do lobo. Ficou desviando e provocando o lobo até que escutou um bater de grandes asas; era ele, o Gavião, um pássaro cruel e sanguinário. Dessa vez Quito não subestimou e fugiu rapidamente, o Gavião mergulhou em um voo rasante e suas garras afiadas quase agarraram Quito, mas ele foi passou pelos arbustos até sumir da vista da ave de rapina assassina. Já fora das Terras Escuras, Quito gargalhou de ...

Outra metade

Por Jefferson Nóbrega O coração é algo interessante; ele é rebelde. Enquanto o cérebro é o ditador do nosso corpo, tendo tudo sujeito a sua vontade, o coração é insubmisso, um revolucionário sem causa, sempre disposto a contestar qualquer decisão que consideremos racional. Como um revolucionário suas decisões nem sempre são sábias, às vezes catastróficas e, por esse motivo cada vez mais temos aprendido a ignorar sua insurgência. Será sábio trancarmos de tal forma? Deixar a vida à regência do comodismo ou ao medo de uma mudança radical? Tais questionamentos perpetravam na mente de Laura enquanto no banco da praça observava as pessoas passando. Cada uma perdida em seu mundo particular, em seus smartphones e fones de ouvidos, todos arrumando formas de ocultar o grito que se prende ao peito. Preferindo a vida virtual. Menos dolorosa. Menos vida. Lágrimas escorreram por seu rosto. Não compreendia bem o porquê. No entanto, sabia de quem era a culpa: o coração estava supla...

Românticos e romantismo

Jefferson Nóbrega Romantizaram os românticos, isso é terrível!  Quando se fala em homem romântico há uma visão totalmente errada vigente. O romântico pintado pela modernidade não é um romântico é um chato. Não somos isso. Nós românticos não somos grudentos, não estamos esperando-as com flores na mão e Shakespeare nos lábios, podemos fazer isso claro, porém não dedicamos nossas vidas a sermos nauseantes.  Não se enganem também, ser romântico não é um selo de fidelidade. Casanova, o maior dos sedutores, foi um dos mais românticos que pisou nesse planeta.  O homem romântico na verdade é alguém que vive seus sentimentos na simplicidade, sem maquinações, sem jogos ou máscaras, é sincero, ele é feliz e contagia com essa felicidade quem ele ama. Ele não se importa com o que falar, já que escuta o coração, não se importa como agir, pois viver é algo natural, sequer liga que seu texto tenha a palavra “romântico” em cada linha, pois o importante é o sentimento ...

O som da liberdade

O Som da Liberdade por Jefferson Nóbrega Em uma rua silenciosa de uma cidade silente. Em um país mudo de um planeta taciturno; um homem chamava a atenção. Quando ele passava as pessoas erguiam a cabeça e baixavam novamente. Pode não parecer nada espetacular, mas era; pois existiam pessoas que nasciam e morriam sem sequer olhar nos olhos de alguém. Ele se destacava na paisagem de prédios cinza e árvores secas, suas vestes brancas com tons azuis eram novidades onde o marrom mórbido dava o tom das roupas. Seus sorrisos e movimentos leves assustavam comparados à marcha mecânica que caracterizava todos. A barba e os cabelos grandes mostravam-se como uma grande novidade diante dos rostos perfeitos e iguais. — Bom dia. — Parecia não se importar com a falta de resposta. Também não demonstrava espanto com a rua engarrafada sem sequer uma buzina apitar. — Bom dia — repetiu para o jovem sentando em uma cadeira na calçada de uma lanchonete, segurava um cardápio por costu...

Tudo por serem poetas

Penso em parar de escrever, especialmente poemas e poesias, Notei que os poetas não são muito agraciados pela vida, Especialmente os homens, Perdem-se na boemia e nos sofrimentos dos amores, Amam intensamente, mas no final é a solidão que abraçam, Arquitetos de palavras no fim lágrimas os calam, E não é dor física que temo, É o fardo de conhecer o íntimo dos sentimentos, sem conseguir vivê-los da forma que escrevo, A vida é traiçoeira com os trovadores e a arte acentua suas dores, Suas aflições não são discretas, Ao coração são submissos, Tudo por serem poetas; Ou são poetas por isso?

A Carta

Remetente :  Jefferson Nóbrega Destinatário : Futuro amor da minha vida Brasília 29/08/2014 Futuro amor da minha vida, como você está?   Escrevo por que não vejo a hora de te encontrar, de ver seu rosto; conhecer-te. Aliás, eu já posso até tê-la visto, mas sabe como é, a vida tem nuances que nos cega às vezes. Peço que perdoe-me. Não sei como és, porém quero logo estar contigo. Não demore por favor, o tempo urge! Cada dia que passa são momentos que perdemos. Agora mesmo poderíamos está aqui no sofá, você com a cabeça em meu colo, perdendo-se em lágrimas por causa do filme enquanto faço pose de durão e derreto-me por dentro.   Fico imaginando como você é, acho que também pensas o mesmo. Sabe, provavelmente já nos encontramos e até gostei de você, algo deve ter dado errado, mas vamos nos topar novamente.   Você não deve ter notado que nascemos um para o outro por causa dos sofrimentos que já te causaram, isso gera medo e cega, entretan...

Sobre escolher demais no amor...

Pensamentos corroeram minha mente por toda a madrugada. “Você escolhe demais”, escutei essa frase de três mulheres em um único dia. Ditas em tons acusatórios, como se eu tivesse cometido um crime de lesa-majestade. Não seria um direito meu “escolher demais”? “Ah, mas quem escolhe muito fica sem nada”, é a réplica genérica. “Ficar sem nada” é um risco.  Todos que amam estão propensos à rejeição e solidão, a vida sem perigos não é vida.  O problema desse tipo de inculpação é que  jogam-me ao estereótipo “só quer peitos e bunda”. Geralmente redarguo: “Leste um dos meus contos, poesias ou poemas?”, se a resposta for não, finda-se tudo. Como ousam julgar os sentimentos de um escritor ignorando seus escritos? Mesmo que sejam ruins. É por sua pena que seu coração confessa-se e requesta-se com toda sinceridade. Se lessem saberiam que imputar-me o gosto por turbinadas é idiotice, afinal todas as minhas protagonistas são descritas como esguias, magrelas, selvagens e acima ...